quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SER CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO DENTRO DO MOVIMENTO DE HUMANIZAÇÃO DO PARTO E NASCIMENTO.

Desde 2010 milito e trabalho dentro do movimento de humanização do parto e nascimento. Este movimento, para aqueles que não sabem, visa promover um atendimento de respeito e qualidade à mulher em seu processo de parto, combate a violência obstétrica e a cesárea sem indicação clínica, prima pela autonomia da mulher e pelo seu protagonismo durante o nascimento de seu bebê, baseia-se nas recomendações da OMS, do Ministério da Saúde e nas evidências científicas.

Dentro deste movimento, crescente em nosso país, a temática da legalização do aborto é constantemente trazida, visto que uma mulher em processo de abortamento, seja este espontâneo ou intencional, necessidade de atendimento obstétrico. A temática muitas vezes é trazida sob a alegação de que a mulher deve ter total autonomia sobre seu corpo e pode decidir sobre a continuidade ou não de uma gestação. Também são trazidos tópicos referentes à violência obstétrica sofrida por esta mulher em abortamento, e, ainda, a questão de a clandestinidade do aborto favorecer as elevadas taxas de mortalidade materna, visto que a mulher que quer abortar é forçada a procurar e a se submeter a um serviço sem qualidade e fiscalização o que, muitas vezes, tem um final trágico para sua própria vida.

Bem, é dentro deste contexto que trago o meu posicionamento contrário à legalização do aborto e exponho os meus porquês.


SOBRE A AUTONOMIA DA MULHER

Sim, eu sou totalmente favorável à autonomia da mulher sobre seu corpo. É por isso e para isso que já fui à rua quatro vezes em atos e manifestações do movimento de humanização do parto, e que trabalho voluntariamente em diferentes ações ligadas ao tema. A grande questão é que quando falamos em aborto não falamos apenas do corpo da mulher, falamos também do corpo do bebê, do embrião, do feto, enfim, falamos de outra pessoa.

É importante considerar que a autonomia da mulher sobre seu corpo já foi exercida no início deste processo, quando ela consentiu com o ato sexual que culminou na gravidez. Estamos considerando aqui estes casos, não os de violência. Portanto já houve esta autonomia sobre seu corpo.
Aqui é um ponto em que muitas questões surgem, afinal, há de fato autonomia quando falamos de uma mulher sem o devido esclarecimento e acesso aos métodos contraceptivos eficientes? Há de fato autonomia quando falamos de uma mulher menor de idade? Há de fato autonomia quando falamos de uma mulher fragilizada e marginalizada pelo sistema, sem autoestima suficiente para a não banalização do ato sexual? Reflitamos, e repensemos sobre isso logo mais.

Mas considerando que eu me relacione sexualmente com um parceiro por livre e espontânea vontade, consciente do maior ou menor risco de uma possível gravidez dependendo do método contraceptivo que esteja usando, e o resultado disso seja uma gravidez fora dos meus planos, que veio na hora errada, no lugar errado e da pessoa errada. Tenho eu, agora, o direito de dispor desta vida? Aliás, isso é uma vida, ou só um amontoado de células? Quando começa a vida?

 “Estudando o feto, no interior do útero materno, pude comprovar que é um ser humano com todas suas características a quem deve ser outorgado todos os privilégios e vantagens que desfruta qualquer cidadão na sociedade ocidental.” Esta afirmação é do Dr. Bernard N. Nathanson, médico norte americano que liderou o movimento para a legalização do aborto em seu país, dirigiu a maior clínica de aborto do mundo situada em Nova York e então foi trabalhar como coordenador do serviço de Medicina Fetal em outro hospital. Ali, diante de fatos e comprovações científicas, ele mudou de lado. Para saber mais sobre esta história, basta colocar o nome dele no Google. Para aqueles que desejam ir um pouco mais profundo, sugiro que assistam o filme produzido por ele, cujo título é “O Grito Silencioso”, basta procurar no youtube. 

Hoje, além da medicina fetal, há conceitos referentes a registros embrionários, memória celular, psiquismo fetal, psicologia pré-natal, psicanálise de bebês; todos levando-nos para bem perto da verdade de que o feto é sim um indivíduo como afirmou o Dr. Nathanson.

Em sendo o feto um indivíduo e a mulher que o gesta também um indivíduo, e em tendo o Estado que legislar em uma situação de conflitos de interesses (o aborto), fica claro que o papel do Estado é resguardar e primar pelo direito do lado mais frágil, menos favorecido, desprovido de condições de defender-se sozinho. Neste caso, o feto. É assim, que acontece em várias outras situações da vida, é assim que temos hoje o estatuto da criança, do adolescente, do jovem, do idoso dentre tantos outros exemplos nos quais cabe ao Estado preservar o direito do menos favorecido e resguarda a vida com um bem inalienável.
Portanto, eu realmente estou convencida de que não, a mulher não tem o direito de escolher se o feto que vive em seu útero deve continuar vivo ou morrer. Isso não é o mesmo que chamar a mulher de chocadeira humana, como dizem alguns defensores do aborto, tão pouco desconsiderar a necessidade de assistência a uma mulher que engravidou e não desejava a gravidez.

Possuir um útero saudável e praticar o ato sexual trará sempre a possibilidade em potencial de se gerar uma vida. Não há como eu imaginar que isso nunca possa acontecer comigo. É uma questão de responsabilidade. Responsabilidade sobre meu corpo e minha sexualidade. Se alguns insistem em ver isso como condenação, “oh, então a mulher que faz sexo por prazer está condenada a ter que carregar um bebê que não deseja”, estão simplesmente desconsiderando a responsabilidade da mulher sobre suas escolhas. É preciso parar com essa crença de que somos mulheres e podemos tudo. Não podemos tudo, e isso não tem nada a ver com o fato de sermos mulheres. É que ninguém pode tudo nunca! Todos têm seus limites e precisam dar conta de suas escolhas e responsabilidades. Se no nosso caso a conseqüência de uma escolha impensada é um filho, então, assumamos o filho ao invés de abortá-lo.


SOBRE A QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA E A MORTALIDADE MATERNA

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), “morte materna” é todo falecimento causado por problemas relacionados à gravidez ou ao parto ou ocorrido até 42 dias depois. No Brasil, por exemplo, a taxa de brasileiras que morreram na gestação, no parto ou em decorrência de suas complicações em 2013 foi equivalente a 69 a cada 100.000 nascimentos. Isso representa quase o dobro da meta assumida nos Objetivos do Milênio traçadas pela ONU — chegar em 2015 com, no máximo, 35 mortes a cada 100.000 nascimentos.

Muitos alegam que o grande causador destes elevados índices são os abortos clandestinos realizados em nosso país, e que, conseqüentemente, legalizando o aborto tais números reduziriam.
No mundo da humanização do parto estamos habituados a nos embasar na ciência para mostrar a necessidade de mudança no sistema obstétrico brasileiro. Logo, vejamos o que dizem alguns estudos e pesquisas publicados sobre a temática aqui em questão.

Um estudo realizado no México mostra uma significativa redução da mortalidade materna durante o período compreendido entre os anos de 1990 e 2010.  Esta redução é bem maior do que o número de abortos clandestinos realizados no país, o que nos mostra que não precisamos legalizar o aborto para reduzir a mortalidade materna! Aqui está o link deste estudo para os que queiram se aprofundar: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23271925

Outro estudo, realizado no Chile, mostra uma significativa redução da mortalidade materna naquele país ao longo de 50 anos. No meio deste longo caminho, o aborto foi proibido no Chile e a taxa de mortalidade maternidade continuou caindo significativamente! O estudo conclui que não há relação entre o declínio da mortalidade materna e a legislação sobre o aborto. Sendo sim, responsáveis por menos mortes de mulheres que gestam e parem, a melhoria na saúde pública e na educação destas mulheres! O link deste estudo está aqui: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0036613 .

Importante também é analisarmos a situação de nosso país, onde desde a década de 90 o índice de mortalidade maternidade caiu 43%, sem que para isso precisássemos legalizar o aborto (dados da ONU segundo relatório divulgado pela OMS em maio deste ano, veja link: http://www.onu.org.br/cai-a-mortalidade-materna-no-mundo-aponta-oms-reducao-no-brasil-chega-a-43/ ) . Nossa situação melhorou muito mas continua péssima, é fato. O que não é fato é que a legalização do aborto será a grande responsável pela melhora de nossos assustadores índices de mortalidade materna.

Um segundo relatório da OMS, publicado nesta mesma data e que analisa as causas da mortalidade materna ao redor do mundo, aponta o impacto de condições médicas preexistentes – como diabetes, aids, malária e obesidade –  sobre a saúde da gravidez, sendo responsáveis por 28% das mortes deste tipo no mundo. Link deste relatório: http://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(14)70227-X/abstract

Assim, vamos desconstruindo a crença de que legalizar aborto é o que permite reduzir taxa de mortalidade materna! Assim como precisamos de dados e pesquisas para desconstruir crenças ao redor do atendimento ao parto!

Outro aspecto a ser analisado é que a legalização gera nas pessoas a percepção de que esta atitude não é problemática e pode ser repetida indiscriminadamente. Na Suécia, após a liberação do aborto até a 18ª semana de gestação em 1975, houve uma duplicação nos casos de repetição, que variou de 3 a 10 abortamentos realizados pela mesma mulher (SWEDEN. Official Statistics of Sweden. Statistics and Medical Care: Induced abortions 2009 (2010). Estocolm 2009).

É ingênuo pensar que isso não trará conseqüências para a saúde física e mental da mulher. Um trabalho realizado na Noruega e publicado na renomada revista BMC Medicine procurou mostrar a diferença na saúde mental das mulheres de seu país que provocam o aborto e as que vivenciam um aborto espontâneo. É válido destacar que na Noruega o aborto provocado é socialmente aceito há décadas, não havendo qualquer pressão externa para que a mulher que o deseje não o pratique! E ainda, o que motivou o estudo foi a constatação de que o aborto é um evento que provoca agravamento na saúde mental das mulheres, tais como ansiedade, depressão e síndrome pós-traumática. Todas a mulheres estudas foram avaliadas dez dias, seis meses, dois anos e cinco anos após o aborto. Os pesquisadores então observaram que as mulheres que tiveram abortos espontâneos apresentaram elevado score de ansiedade e impacto traumático nas avaliações realizadas dez dias e seis meses após o evento, apresentando importante melhora nas avaliações tardias; o que é compatível com o que se chama de um evento traumático bem resolvido. Nas mulheres que tiveram o aborto provocado, a situação não é a mesma, apresentado estas elevados scores de saúde mental nas avaliações feitas a longo prazo, acusando sentimentos de negação, culpa e vergonha e permanecendo com indicadores de saúde mental significativamente piores do que a população em geral. Caracterizou-se assim um evento traumático mal resolvido, gerador de distúrbios emocionais duradouros. Link deste trabalho: http://www.biomedcentral.com/1741-7015/3/18/prepub .

Logo, quando falamos em saúde pública é importantíssimo considerar todos estes aspectos e dados. Fica então o questionamento: a descriminalização do aborto no Brasil trará de fato mais saúde às nossas mulheres?

Quando se pensa em saúde pública e epidemiologia, aprende-se que o melhor caminho é sempre a prevenção e a educação. Aqui voltamos ao ponto colocado no início deste post sobre a autonomia da mulher. Acredito que a autonomia também venha com a educação.

A mim não parece ser uma atitude inteligente querer eliminar um problema sem atacar a sua causa.


SOBRE O AMPARO À MULHER QUE ABORTA

O que me motivou a escrever este post, colocando de forma organizada e clara o meu ponto de vista sobre o tema da legalidade do aborto, foi um questionamento direcionado a mim quando expressei minha opinião contrária à legalidade do aborto em um grupo de discussão sobre parto humanizado: “Você realmente concorda Inês que a mulher que aborta deve ser presa?”.

Pois bem, o que dizer sobre esta mulher? E o que dizer sobre aquela que pari o filho e o coloca em um saco de lixo preto e atira dentro da lagoa, joga na lata de lixo ou no terreno baldio. E aquela mulher que abandona o filho bebê sozinho dentro de casa e sai sem prover para ele os cuidados essenciais que um recém-nascido precisa para sobreviver. O que dizer ainda daquela mulher que maltrata fisicamente de seu bebê, submetendo-o a torturantes sensações de dor, ou daquela que com o filho já mais crescido o fere e o espanca?

O que dizer e o que pensar de tudo isso?

A minha visão é que são todas mulheres, com eu, como você. Mulheres com capacidade para gerar vida e cuidar dela, mas que por algum motivo se equivocaram e se perderam neste caminho. Não são monstros, são mulheres, são seres humanos e merecem atenção, cuidado, merecem até mesmo e principalmente afeto.
Não por isso, eu vou concordar que as crianças, os bebês, os embriões, os fetos sob sua responsabilidade continuem a sofrer as conseqüências de seu estado de desequilíbrio. Eu amparo a mulher e protejo a criança, usando as ferramentas legais e as estruturas do Estado. É assim que eu vejo esta questão!

Indo um pouco mais fundo na minha opinião pessoal sobre o tema, uma vez que isso foi o motivo de toda esta reflexão, se eu estivesse sentada na posição de júri de um julgamento de uma mulher que abortou, eu dificilmente a condenaria, acreditando que ela errou sim, gravemente, mas apostando que a sua recuperação não virá da prisão e sim da educação e do amor. Pode parecer poético, mas é apenas um caminho mais brando, saudável e justo de resolvermos a questão!

Enfim, assim eu penso e assim eu continuarei a trabalhar pela saúde das mulheres que gestam, pela sua autonomia, pelo resgate da beleza do parto e pela saúde do bebê que chega ao mundo.

Que possamos todos fazer nossas reflexões sobre a temática do aborto desprovidos de preconceitos e posições radicais, que possamos ter a ciência como balizadora de nossos pensamentos e que não falte uma boa dose de amor em nossas conclusões!

21 comentários:

  1. Inês! Parabéns pelo texto! Converso muito com uma amiga sobre isso: sobre legalização do aborto e sobre podermos discutir livremente nossas opiniões sem julgamento! Ela, depois de muitos argumentos e da leitura do seu texto, conseguiu me convencer, hoje sou contra!!! Obrigada por compartilhar suas ideias e pelo estudo!

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  2. http://extra.globo.com/casos-de-policia/exame-de-dna-confirma-que-corpo-encontrado-dentro-de-carro-de-jandira-14025944.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=Extra#ixzz3EAysCmdN

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  3. O aborto é uma questão de saúde pública e não de política criminal. Se é radical defender a vida das mulheres pois sou radical! Pergunto novamente você concorda que a mulher que aborta deve ser presa? A resposta é sim ou não. Julgamentos acerca da decisão que outras mulheres tomam são isso julgamentos. Eu apenas respeito, independente de concordar ou não, eu respeito, e defendo de forma intransigente a assistencia humanizada a mulher em situação de abortamento. Mas a defesa da assistencia humanizada passa necessariamente pela legalização, pois do contrário as mulheres assim como Jandira continuarão a viver na clandestinidade e continuarão a morrer e serem violentadas

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    1. Todos estamos defendendo a vida. O feto abortado também é vida, com a diferença de que não tem escolhas enquanto a mulher tem. Conforme escrevi no post é a educação e a melhoria da assistência na saúde que garantirá que casos como o de Jandira não ocorram. Acho lindo ser radical ao defender a vida, eu também sou! Só não entendo defender a vida de uns e condenar à morte outros!

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    2. Olá Inês,

      Você disse o seguinte:

      "
      O feto abortado também é vida, com a diferença de que não tem escolhas enquanto a mulher tem
      "

      Então, justamente esse é o ponto: a mulher não tem escolha. Quando se trata de uma gravidez indesejada, no nosso país, se a mulher abortar, então ela é uma criminosa. Onde está a escolha da mulher?

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  4. http://oglobo.globo.com/rio/anistia-internacional-reforca-urgencia-de-debate-sobre-aborto-apos-mortes-no-rio-em-niteroi-14035515

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  5. A morte por aborto não entra nas estatísticas de mortalidade materna por 2 motivos: 1) tecnicamente não houve um parto, assim não faz parte da casuística 2) são subnotificadas ou notificadas por outras causas. Assim, seus dados sobre outros países não fazem sentido.

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    1. Se nas estatísticas de morte materna não estão contempladas as mortes por aborto, como os defensores da legalização podem assegurar que é preciso legalizar o aborto para reduzir a mortalidade materna? Parece-me incoerente. As estatísticas de morte materna não são realmente exatas, e isso eu concordo com você, mas não pela questão do aborto. O Comitê de Morte Materna explica que no Brasil muitas mulheres morrem na zona rural em processo de parto ou no pós-parto e são enterradas lá mesmo; mulheres morrem alguns dias após o parto, a cesárea, devido a complicações decorrentes do processo e não são catalogadas pois os médicos não fazem a devida relação com o evento anterior do nascimento do filho; e sim, com certeza haverão mulheres que morrem em decorrência de abortos clandestinos e não são catalogadas. Isso porém, não invalida as pesquisas, que precisam ter uma referência. Se estes estudos não são válidos, quais seriam então? Compartilhe conosco! O importante é ter uma referência para se fazer uma afirmação com impactos tão profundos.

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  6. Me expressei mal... Como não houve um parto e a mulher por medo de represália não conta da gravidez ou do aborto, acaba não fazendo parte da casuística... Na teoria, faz parte...

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  7. Inês, você sabia que algumas mães abortam, pois não dariam conta de criarem dois filhos? E se essa mãe morre, talvez ela va deixar uma criança desamparada.
    E o embrião, não é vida. Eh um projeto de vida. E um projeto não é mais importante que eu, que você, que minha irmã, que temos planos e sonhos.
    Eu moro na França, onde o aborto é legalizado. E sabe, pelo menos na cidade onde vivo, ninguém teria coragem de ir contra a lei do aborto, pois seria visto como uma pessoa com falta de empatia.
    Me deixa MUITO triste ver você, que é doula, profissão tão linda,indo contra os direitos das mulheres... um embrião não é um ser humano; Eu sou! Pena que o embrião tenha mais direitos que eu

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  8. Mais uma afeminista de araque. ABORTO JÁ!!!!!!!!!!!!!!!!

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  9. Preguiça, viu?!
    Inês, se feto é vida, oq não é vida?
    Vida é um contínuo sistêmico, já pensou nisso?
    Pq só a vida humana é sagrada e não merece ser interrompida por outrem?

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  10. Parabéns pelo texto, é muito raro ver em discussões sobre temas polêmicos opiniões tão centradas e inteligentes; principalmente sobre o aborto, quem começa a "discutir" sobre o assunto, geralmente, já tem sua opinião formada e só quer mostrar o quanto o outro lado está errado, impossível julgar com alguém assim (seja contra ou a favor), que tem dogmas e não argumentos.

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    1. Uma correção, na última frase o correto é: "impossível DEBATER com alguém assim...

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  11. Vc diz no blog da Lola que é feminista, mas é contra a legalização do aborto. Sorry, mas vc não é feminista por uma razão muito simples: está se achando no direito de dizer o que as outras mulheres devem ou não fazer com seus corpos e o feminismo é contra isso. Fim. Vc manda no seu corpo e na sua vida, mas no MEU CORPO E NA MINHA VIDA QUEM MANDA SOU EU E NEM VC, NEM NINGUÉM TEM O DIREITO A DAR PITACO.

    Agora me responde uma coisa: onde o EMBRIÃO se desenvolve e retira nutrientes? No corpo da mulher. Dentro do corpo da mulher. Dentro do útero dela.. Deu pra entender? Não importa se ele escolheu ou não estar ali. O corpo continua sendo da mulher e, portanto, ela TEM SIM PLENO DIREITO de decidir se esse embrião pode ou não continuar dentro do seu corpo vivendo e se desenvolvendo as custas dos seus nutrientes.

    Além do mais, se a mulher não escolheu engravidar, se não é fruto da sua livre e espontânea vontade, então me dá uma única razão lógica e plausível de ela ser OBRIGADA, FORÇADA e COAGIDA a continuar essa gestação sendo que ela não pediu e nem desejou isso. Sim, porque se o aborto for criminalizado, é exatamente isso que irá acontecer. Ela será FORÇADA a dar continuidade a uma gravidez CONTRA a sua vontade.

    Só porque ela fez sexo? Então vc acha que só porque a mulher transou, ela tem que arcar com essa gravidez indesejável custe o que custar, doa a quem doer, mesmo as custas do seu próprio sacrifício? É isso que vc quer?

    Sim, porque é muito fácil lançar leis pra decidir sobre a vida das OUTRAS pessoas sendo que são elas quem irão arcar com as consequências, não vc. Se uma mulher engravidar contra a vontade e for OBRIGADA a levar essa gestação adiante, será ela quem vai ter que criar essa criança, alimentar, ter sua vida e seu corpo totalmente alterados por causa disso enquanto VOCÊ e sua vida permanecerão totalmente inalterados.

    Vamos combinar uma coisa: cuida da sua vida enquanto as outras mulheres cuidam da vida dela. Se vc realmente não quer que elas abortem, então faça algo pra ajudá-las a criar essas crianças ou então encontre um bom lar adotivo pra elas. Vc é a favor da vida desses embriões? Se importa com eles? Quer que nasçam? beleza. Mas entenda que nascer por si só não é suficiente. Essas crianças vão precisar de roupa, comida, abrigo, atenção, cuidados, escola, médico e um monte de outras coisas. Vc vai dar tudo isso? ou o seu negócio é apenas que elas nasçam e o resto que se dane?

    afinal, simplesmente se achar no direito de EXIGIR que elas levem adiante uma gravidez indesejada, mas não fazer nada pra ajudar e ainda dizer que elas devem se virar sozinhas porque "se elas transaram, então tem que se lascar e pronto" é, no mínimo, uma falta de respeito monumental com essas mulheres, suas vidas e sua autonomia.

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  12. Também sou contra a descriminalização do aborto, mas por motivos diferentes dos seus.
    Acho que seria banalizado no Brasil....
    Caso se interesse aqui mostro minha opinião http://pedempalavras.blogspot.com.br/2014/06/pro-escolha-pro-vida-ou-problema.html

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    1. Mariana, o que está banalizado no Brasil é mania que as pessoas tem de querer controlar o corpo e a vida das outras, mas na hora de arcar com as consequencias, sempre tiram o corpo fora e não querem nem saber.

      Mulher nenhuma aborta porque gosta ou acha divertido. Isso não é um hobbie ou passatempo, elas não ganham dinheiro, fama nem aprovação fazendo aborto.

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  13. um detalhe que você esta esquecendo: isso são as SUAS crenças, o SEU modo de enxergar a vida, porque eu e outras mulheres somos obrigadas a engolir garganta abaixo concepções que são SUAS. Para mim um ser humano é formado no contato social com outros seres humanos, a minha crença é essa! enquanto esta na minha barriga é apenas um feto e quem decide sobre ele sou eu!
    Métodos contraceptivos falham, as pessoas falham, mas a mulher deve ser punida porque quis transar? o homem aborta mentalmente e é aceito e considerado 'normal' e se a mulher resolve abortar e estando no seu corpo o aborto é fisico é considerada maluca, sem sentimentos, irresponsável?
    Eu engravidei usando um método q falhou, estou tendo apenas frustrações e infelicidades com a minha gravidez, se eu tivesse condições abortaria sim para acabar com esse tormento. Não abortei pois morro de medo de morrer em alguma clínica por ai.
    Por isso defendo o aborto para que outras mulheres não sofram o q eu estou sofrendo. Liberdade para q sejamos definitivamente donas do q ja é nosso!

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  14. Seu texto parece ter incomodado algumas pessoa de opinião diversa da sua, Inês. Mas com esses cometários ofensivos não dá pra debater né? Apesar de tudo, quero parabeniza-la pela forma de pensar.
    Desde que meu filho nasceu, tenho me interessado pelo parto humanizado e criação com apego. Penso em um dia ser doula, pois gosto de trabalhar pelas coisas que acredito. Mas tenho reparado que boa parte das ativistas costuma misturar nesse tema a problemática da legalização do aborto. Isso tem me incomodado muito, pois parece que temos que seguir a cartilha do "feminismo/ parto humanizado/ esquerda/ legalização do aborto..." . Mas eu não quero seguir uma cartilha. Quero defender o parto humanizado sem defender a legalização do aborto. Quero ter minhas próprias opiniões, independentes umas das outras, e muito bem pensadas e analisadas.
    Acho válido tudo o que você postou no texto. Acredito que foi Madre Tereza que disse "Se uma mãe pode matar ao filho em seu ventre, o que nos impede de matar-nos uns aos outros?". Também assisti ao "Grito Silencioso", e achei estarrecedor. É estarrecedor a trivialização de tirar uma vida. Tenho aqui em casa um modelinho de um feto de 12 semanas em tamanho real, cabe na palma da mão: tem nariz, boca, até os dedos dos pés. Está chupando o polegar. Não há como negar de que é um ser humano. A vida não pode ser relativizada, não podemos dizer se um ser humano é um ser humano a partir de que nasce, a partir de que está na sociedade, bla bla bla... um ser humano é um ser humano. Determinar um início da vida abre a possibilidade de cairmos em um engano cruel.
    Não quero ser ingênua, mas acredito que uma possibilidade para que a mulher não se torne mãe, caso não deseje, é a adoção. Milhares de pessoas querem adotar, querem constituir família. Não seria a solução ideal para todos?
    Enfim, fico feliz de saber que não estou sozinha nesse barco. Peço desculpas pelo desabafo, mas fiquei contente mesmo de ler seu texto. Mais uma vez a parabenizo, Inês.

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  15. Inês eu nem perderia tempo respondendo essas radicais que te atacam em vez de atacarem seus argumentos. Isso é típico, cansativo e muito apelativo. Considero debates saudáveis e válidos desde que seja possível debater, desde que haja o mínimo de noção e razão no debate, mas como debater com pessoas tão firmes em suas crenças que chegam a ignorar os próprios fatos, impossível né?! Você pode expor fatos e suas respectivas fontes, que elas continuarão enxergando apenas aquilo que querem enxergar, e continuarão reproduzindo o mesmo discurso manipulador que já foi cravado em suas mentes, então é melhor poupar seu tempo mesmo. Enfim, adorei o texto, ótimas colocações! Muito melhor que ser uma "feminista", é ser uma pessoa sensata e coerente, se você acredita firmemente na sua posição então continue a defendendo, mesmo que isso cause revolta nas mais radicais, você é livre como todos nós somos, têm direito de defender suas convicções. Thaís

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  16. é muito bom encontrar pessoas que pensam diferente, pois as suas indagações pode sim nos levar a pensar de forma diferente, a abrir nossas mentes para outro pontos de vista, mas o que me deixa triste é saber que as pessoas não sabem debater, mas querem fazer descer guela a baixo o que pensam, Inês vc deve estar acostumada com isso né rsrsrs a falta de conhecimento para debater e não discutir e ofender. lamentável tenho 17 anos e fico triste em saber como os adultos tem uma visão limitada e comportamentos desprezíveis.

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