segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

RODA DE CONVERSA PARIR E NASCER especial com Robbie Davis-Floyd

EVENTO CANCELADO!!!
Robbie precisou retornar para os EUA por motivos familiares.



Grávidas, médicos, enfermeiras, parteiras, doulas, psicólogos, fisioterapeutas, antropólogos e todos os interessados no tema do nascimento humano estão convidados a participar e divulgar este grande evento que teremos em Curitiba!

Refletir sobre como e porque o nascimento humano se distanciou tanto de sua essência é preciso. Os estudos de Robbie nos ajudam a entender este caminho. E, o melhor, nos mostram como mudar o curso! Não é retornar e fazer o caminho de volta, mas seguir em uma direção mais humana, digna e consciente.

O atual modelo de atendimento obstétrico precisa mudar!
As mulheres precisam despertar e retomar seu direito de parir!


Se você possui um blog ou site, copie e cole este banner eletrônico e ajude-nos a divulgar este evento promovido por um grupo de doulas de nossa cidade que trabalha para a disseminação de informação técnica, com respaldo na ciência, e voltada para a desmistificação do parto natural.



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Robbie Davis-Floyd em Curitiba/PR

Queridos casais e profissionais que participam mensalmente de nossa Roda de Conversa Parir e Nascer, informamos que o evento que seria na última sexta-feira de novembro (dia 25/11) foi prorrogado para dia 15 de dezembro, em função de termos a oportunidade de trazer Robbie Davis-Floyd para participar deste nosso encontro.



É uma grata satisfação poder contar com a presença de Robbie, que é uma antropóloga ativista da humanização do parto e nascimento. Robbie estuda o tema do nascimento humano há mais de 20 anos, e dentre os livros que já publicou destacamos ‘Birth as an American Rite of Passage’, no qual utiliza a noção de 'rito de passagem' para mostrar o quanto o parto medicalizado é um evento ritualístico que afirma os valores dominantes da sociedade industrial e patriarcal sobre a mulher. Esse livro, até hoje não traduzido para o português, tem sido uma referência para os ativistas do movimento de humanização do parto no Brasil.


No dia 15 de dezembro próximo, Robbie falará ao público de Curitiba sobre como o nosso modelo de atender ao parto foi ‘evoluindo’ ao longo da história e, ainda, de acordo com sua experiência e visão, quais os modelos que realmente funcionam.


Para conhecer melhor Robbie Davis-Floyd, acesse seu site – http://www.davis-floyd.com/
Para saber mais sobre o evento entrem em contato – 41 9102.7587.


RODA DE CONVERSAR PARIR E NASCER
COM ROBBIE DAVIS-FLOYD


DATA: 15/12/2011


HORÁRIO: 18H30 ÀS 22H30


LOCAL: Instituto Matsyendra, de Yoga Av. Sete de Setembro, 4214, cj.702, Batel.


INVESTIMENTO: R$ 60,00 (sessenta reais) por pessoa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A criança e o direito à verdade

Este é o título de um dos capítulos do livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, de Laua Gutman, editora Best Seller.

Nesta semana, em que encontramos apelo para presentear nossos filhos em todos os cantos que olhamos, pensei sobre o que realmente é importante para uma criança. O que realmente a torna feliz, tranquila, confiante, segura. Foi então que me lembrei deste extraordinário capítulo do também extraordinário livro de Laura e concluí: nada é mais precioso a uma criança do que a verdade.

A verdade aqui considerada refere-se aos aspectos exteriores, de tempo e espaço, e também aos aspectos interiores, aquilo que acontece comigo, que sinto, que desejo, que temo. A criança, e em especial os bebês, precisam conhecer a nossa verdade, ainda que ela não seja bela, pois só assim conseguem separar-se de nós e serem livres para a construção de seu próprio eu.

Tudo isso pode parecer lógico e até mesmo banal, mas é extremamente complicado pois não estamos acostumados a ir ao encontro de nossa verdade. Nesta linha de raciocínio, criar um filho requer um trabalho de autoconhecimento inadiável. É imprescindível que eu me conheça e tenha acesso à minha verdade para poder comunica-la a meu filho, preservando-o assim da angústia e do medo que estão em mim. Quando isso não acontece o filho produz o que a psicanálise chama de sintoma, e sofre.

“... o bebê nos obriga a nos conectar com a verdade, porque, quando não é assim, a materializa, ‘expressa-a’ no plano físico, vive-a em seu corpo.” Laura escreve ainda: “As crianças estão tão próximas de nossos corações, tão unidas à verdade íntima, que se transformam em tradutoras exatas. Vale a pena lhes dar atenção ou ao menos nos fazer as perguntas pertinentes. Só quando sabemos o que acontece conosco, ficamos em condições de contar a verdade a nossos filhos.”

Caras mães, o trabalho não será fácil, mas imensamente recompensador. O benefício é duplo pois somos nós e nossos filhos a sentir a liberdade de se conhecer a verdade!

Laura Gutman não nos deixa no desamparo diante de tudo isso. Ela nos dá dicas e caminhos para A BUSCA DA PRÓPRIA VERDADE.

“A verdade é sempre precedida da palavra ‘eu’. Porque a verdade é pessoal, refere-se ao que acontece comigo, ao que sinto, ao que desejo. Não é uma opinião, nem está subordinada ao que é certo ou errado.”

“A busca da própria verdade precisa de apoio. Creio que essa é a essência de qualquer iniciativa terapêutica ou de outra aproximação do campo espiritual de cada um. Muitas vezes, é indispensável pedir ajuda a um profissional,...”.

No dia-a-dia tenho tentado seguir o caminho mostrado por Gutman. Vezes há que consigo, e então me deparo com a maravilha e eficácia do método. Uma sensação de satisfação me invade ao perceber uma imediata mudança de atitude em minha filha. É como se ela disse “Ah!!! Agora entendi!!! Porque você não me falou antes!!!”.

O dizer a verdade à criança em nada tem a ver com privá-la da fantasia, do mundo das fadas e dos reinos de príncipes e princesas, tão necessários a ela. Dizer que a Fada da Noite passa em seu quarto para ver se está em sua caminha, ou que em sua boca mora uma coruja e precisamos manter sua casa limpinha, e ainda que são os anjos que acendem as estrelas, não tem nada a ver com o direito à verdade.

A criança tem direito à verdade e ao mesmo tempo necessita da fantasia. Saber colocar cada coisa em seu lugar cabe a nós, adultos. O esforço valerá a pena, teremos filhos mais saudáveis física e emocionalmente!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Parir pode ser gostoso, nascer pode ser amoroso, e a vida pode ser mais suave...

Este é o relato de parto de uma grande amiga.
Amiga que fiz nesta caminhada de compreensão e entendimento a respeito da experiência de parir e maternar.
Mônica demonstra neste lindo texto o caminho que percorreu entre os nascimentos de suas duas filhas. E nos conta de forma doce todo seu processo de aprendizado e transformação.

Obrigada, querida amiga, por permitir que eu compartilhasse aqui sua experiência!



RELATO DO PARTO DA ESTELA

Na verdade, este relato começa com o nascimento da minha primeira filha, Olivia.

Olivia nasceu de um parto normal hospitalar muito rápido, de pouco mais de 1 hora, onde ocorreram todas as intervenções possíveis (indução com ocitocina, analgesia, bolsa rompida artificialmente, fórceps de alívio, episiotomia e por aí foi).

Para a consciência que eu tinha na época, foi um parto excelente e uma experiência emocionante e inesquecível. Minha pequena nasceu super saudável, mas ficou poucos minutos perto de mim no centro cirúrgico, pois foi rapidamente levada pelo pediatra enquanto eu ficava em observação em uma sala de recuperação. Nos encontramos novamente mais de duas horas depois.

Quando chegamos em casa, meu marido me mostrou um vídeo que ele fez durante este tempo em que Olivia esteve longe de mim. O vídeo mostrava minha pequena, que tinha acabado de sair da minha barriga, sofrendo uma série de intervenções de todas as espécies. Pesa, mede, injeta alguma coisa, vira daqui, vira dali. Olivia estava aos berros, com os bracinhos e perninhas para o ar, tremendo, como que implorando por socorro. E eu estava só, em uma sala perto dali, sem saber o que estava acontecendo com a minha bebê.

Ver aquilo foi um choque enorme para mim e explodi em lágrimas. Como aquilo podia ter acontecido? Ela devia estar comigo, mamando, e não passando por tudo isso, com estranhos, nos seus primeiros momentos de vida. Nunca mais consegui assistir a este vídeo e fico com um nó na garganta cada vez que me lembro disso.

Como nada acontece por acaso, esta experiência me impulsionou a pesquisar mais sobre o nascimento e sobre a forma como os bebês são tratados quando nascem. E então um mundo novo se descortinou. Mergulhei em todos os sites que falavam sobre o assunto, li todos os livros que pude, fiz cursos e conheci pessoas (reais e virtuais) que me mostraram que o nascimento não precisa e não deve ser tratado desta forma violenta. E, mais importante, descobri que a forma como se nasce pode ser determinante para toda uma vida e, por que não, para toda a humanidade. Neste tempo de estudo, adquiri muita informação e pude entender todos os procedimentos que eu e minha pequena sofremos no parto, e percebi que o aconteceu conosco não é considerado anormal ou violento ou ruim, mas é a rotina padrão de todos os partos hospitalares (inclusive os "normais").

Além de tudo o que aprendi, fui também mudando minha consciência em relação a assuntos como a gestação, o parto e a maternidade e isto resultou em uma transformação real de hábitos e valores para mim e para a nossa família. Dividi este caminho que estava percorrendo com o meu marido e fomos moldando um novo jeito de exercer a maternidade e a paternidade (de viver, até), talvez muito diferente do que seria se isto não tivesse acontecido.

Minha segunda gravidez foi muito desejada. Queria muito dar um irmão para a Olivia e também poder viver uma nova gestação de uma forma diferente e mais consciente. E posso dizer que vivi intensamente esta experiência desde a concepção da Estela. Desta vez, eu estava muito mais preocupada em estar sempre conectada com o meu bebê e comigo mesma do que com exames, rotinas médicas ou roupinhas de bebê. Eu queria viver plenamente esta gravidez. Pelo lado prático, busquei um médico que pudesse acompanhar o meu pré-natal da maneira menos intervencionista possível. Logo que descobri que estava grávida procurei o Dr. Claudio Paciornik, que desde o início foi receptivo com os meus planos de gestação e partos naturais. Disse pra ele, já na primeira consulta, que queria ter um parto em casa e que buscava um médico que, se não fosse me ajudar com isso, que ao menos não me atrapalhasse (hehehe). O Claudio sempre foi muito atencioso com todas as minhas vontades e sempre respeitou minhas decisões, como fazer o mínimo possível de ultra-sons (foram apenas dois, um na 13a. semana e outro na 22a.). Conversávamos muito durante as consultas mas eu ainda não tinha me planejado sobre como seria meu parto domiciliar.

Participei dos encontros de gestantes do Aoba durante toda a gravidez e, num desses encontros, a Luciana (que é doula e coordenadora do Espaço) me indicou a Adelita, uma enfermeira obstétrica que atende partos domiciliares aqui em Curitiba. Liguei para a Adelita e ela veio até nossa casa para conversarmos melhor. Foi empatia à primeira vista! Além de ser super qualificada, Adelita se mostrou totalmente sintonizada com as razões de escolhermos um parto em casa e nos explicou com muita clareza como tudo poderia acontecer. Também nos avisou que, provavelmente estaria em uma viagem no período do nascimento da Estela, mas nos tranqüilizou contando que ela trabalha em um grupo de três parteiras e que elas se revezam, caso alguma não estejam presente. Depois disso, conhecemos a Maria Rita e a Aline e a sintonia foi a mesma. Tínhamos encontrado nossas parteiras!


Encontro de pré-natal com a Maria Rita (e a assistente Olivia)

A partir da 36a. semana começamos o pré-natal com elas, que vinham à nossa casa uma vez por semana para escutar o coração do bebe, checar se a gestação estava correndo bem e saudável e, principalmente, para conversarmos sobre a gravidez e planejarmos o parto. Adorava as visitas de pré-natal, pois era um evento em que toda a nossa família participava. Adorava ver minha pequena Olivia, então com 2 anos, usando o estetoscópio para ouvir o coração da irmã. Meu marido podia tirar todas as suas dúvidas e, tomando um prato de sopa juntos, conversávamos sobre o parto. Me senti super à vontade para colocar todos os meus desejos e restrições e discutimos juntos todos os detalhes. A visita mais incrível foi quando fizemos um "ultra-som" colorido da Estela, uma linda pintura na minha barriga que rendeu fotos incríveis!



Ultrassom colorido da Estela
No dia 26 de junho de 2011, Maria Rita e Aline vieram até a nossa casa para mais uma consulta. Contei a elas que estava com muitas contrações, mas sempre fora de ritmo. Elas vinham e iam, alguns dias mais e outros menos. Tinha certeza que já estava com alguma dilatação, mas preferimos esperar uns dias para ter certeza disso, já que a minha aposta era de que Estela chegaria na próxima virada da Lua Nova, no dia 01 de julho. Maria Rita fez alguns exercícios comigo para alongamento usando um reboso e o Cris ajudou com uma massagem nas costas. Elas saíram de casa no início da noite e eu fui jantar e acomodar a Olivia para dormir. Estava insone e não conseguia relaxar de jeito nenhum. Comecei a me sentir insegura sobre como seria minha vida com duas crianças, preocupada em como poderia dar atenção para duas pequeninas e acabei indo para o sofá da sala para tentar dormir. O reboso que a Maria Rita usou ainda estava sobre o sofá e fazia muito frio de madrugada. Então me enrolei nele e decidi que não ficaria mais insegura, pois eu sou a mãe dessas pequenas e saberia como fazer para dar o meu melhor para elas. Finalmente dormi.

Acordei um pouco antes das 7h sentindo uma dorzinha diferente. O Cris chegou na sala logo em seguida e deitou do meu lado. Comentei com ele que estava com uma cólica esquisita e que estava um pouco ansiosa para terminar de arrumar as coisas para a chegada da Estela, pois faltava menos de uma semana. Ele prometeu me ajudar no que precisasse e dividimos tarefas. As cólicas continuaram e comecei a perceber que elas vinham e iam em intervalos freqüentes, de mais ou menos 20 minutos cada. Passei a manhã toda assim e resolvi então agilizar as coisas. Eu e a Su, uma querida ajudante que trabalha em nossa casa há algum tempo, finalmente arrumamos as roupinhas da Estela no armário e deixamos suas coisinhas prontas para quando chegasse. Durante o almoço comentei com o Cris que as cólicas estavam mais freqüentes e resolvemos marcar os intervalos. Estavam de 10 em 10 minutos. Eu ainda não achava que poderia ser o trabalho de parto pois, apesar de super ritmadas, as contrações eram perfeitamente suportáveis e a sensação sumia totalmente nos intervalos, quando eu ficava muito bem.

A tarde correu normalmente e tirei um cochilo com a Olivia depois do almoço. Apesar das contrações continuarem no ritmo e com sensações cada vez mais intensas, consegui descansar bastante e acordei com vontade de comer um doce. Resolvemos fazer brigadeiro para comer de colher e a Olivia se divertiu bastante com a sua panelinha. Respirava entre as contrações enquanto comia uma colher de brigadeiro, hehehe. Aproveitei também para fazer um creme de Aromaterapia para o parto, com óleos essenciais de Lavanda e Jasmim. Minha mãe passou em casa e eu tentei disfarçar o que estava acontecendo, pois não queria avisar ninguém para que não ficassem preocupados. Esta foi a parte difícil pois é quase impossível enganar sua própria mãe (ela me disse: "tô achando você meio arriadinha hoje…"), hahahahahaha. Ela foi embora desconfiada e então eu resolvi sentar na bola, pois a sensação das contrações já era bastante intensa e os intervalos estavam cada vez menores. A Su iria embora às 18h e então eu percebi que não tinha condições de ficar sozinha com a Olivia. Liguei pro Cris e pedi que ele viesse mais cedo pra casa. Mesmo assim, ainda não acreditava que estava em trabalho de parto e, apesar da Su ter insistido em ficar, pedi a ela que fosse pra casa pois eu achava que ainda podia ficar com aquelas "cólicas" mais uns dias.

Brigadeiro de colher durante o trabalho de parto

Quando o Cris chegou eu estava brincando com a Olivia, mas as contrações já estavam bem fortes, com intervalos de 5 em 5 minutos. Resolvi esquentar a sopa para nós jantarmos mas já não consegui comer, pois precisava me movimentar para aliviar a dor. Andava bastante pela casa e me ajoelhava ou acocorava quando as contrações chegavam. Resolvi então ligar para a Maria Rita para avisar que "talvez" eu fosse precisar delas durante aquela madrugada. O Cris ficou um pouco nervoso e acabamos passando esta ansiedade para a Olivia, que começou a ficar um pouco assustada. Então o Cris ligou pra Su e pediu que ela voltasse para ficar com a pequena, conforme tínhamos combinado. Deitei do lado da Olivia e contei uma historinha para que ela se acalmasse e ela ficou tranqüila de novo, mas eu já sentia muita dor e não conseguia ficar deitada. Então a Maria Rita me ligou de novo e, durante os poucos minutos que falamos no telefone, tive três contrações muito fortes e nem conseguia falar com ela. Ela me disse que estava vindo pra minha casa e falou pra eu entrar no chuveiro com a bola, para tentar aliviar a dor. Acho que só quando ela me falou no telefone: "Você está em trabalho de parto" é que caiu minha ficha de que esta seria A noite.

Fui então para o chuveiro e pedi ao Cris que ficasse com a Olivia e não se preocupasse comigo pois, apesar das dores, eu estava bem e o chuveiro era muito relaxante. Fiquei quase uma hora deixando a água cair sobre as minhas costas e, a cada contração, me ajoelhava sobre a bola e gemia, o que também me ajudava bastante a relaxar. Durante este tempo, a Su chegou e foi fazer a Olivia dormir e, em seguida, o Cris entrou no banheiro com a Maria Rita. Fazia poucos minutos que eu tinha me cansado no chuveiro e decidido sair. Acontece que as contrações estavam realmente fortes e freqüentes e eu já não conseguia mais ficar em pé. Fiquei em quatro apoios sobre o tapete do banheiro e o Cris e a Maria Rita me ajudaram a vestir uma blusa para que eu fosse para o quarto. Maria Rita sugeriu fazermos um toque mas eu disse a ela: "Não vamos fazer isso… Se você me disser que eu estou com 3 centímetros acho que eu morro". Estava realmente impressionada com a intensidade da dor que eu sentia mas como, ao mesmo tempo, ela era perfeitamente suportável se eu deixasse o corpo falar e agir. Procurava apenas seguir os sinais do meu corpo e deixar tudo acontecer. Aliás, senti que não tinha alternativa e que este era o único jeito de passar por aquilo.

Chegando no quarto, o Cris já tinha arrumado tudo conforme eu tinha pedido enquanto estava no chuveiro (edredom grande no chão, lençol descartável por cima, aquecedor ligado e as toalhas brancas por perto). Voltei aos quatro apoios sobre o edredom no chão enquanto a Maria Rita fazia uma massagem nas minhas costas e barriga com o creme de óleos essenciais. A cada contração eu me agarrava no Cris e soltava uma grande "Aaaahhhhh", que me ajudava a passar por elas. Durante uma contração bem forte a bolsa rompeu e senti aquele líquido quente caindo e escorrendo pelas minhas pernas. A Aline chegou logo após e se preparou para receber minha bebê, pois já estava no expulsivo. Para mim, esta foi a fase mais interessante do parto. Durante as contrações eu ficava de joelhos e, assim, sentia Estela descer cada vez mais e se encaixar no canal de parto. É impressionante como a percepção do corpo do bebê é nítida! Ela ia descendo e senti sua cabeça coroar. Foi então que eu disse: "Ela já está aqui!" e coloquei minha mão sobre sua cabecinha, sentindo seus cabelinhos. Nesta hora, sentia muita dor e também muita ardência, o tal círculo de fogo, mas me entreguei à sensação. Na verdade, percebi que eu não estava fazendo nada, mas que o parto simplesmente estava acontecendo a partir de uma ação espontânea do meu corpo. Me sentia mesmo como uma ursa, de joelhos, colocando meu bebê para fora do meu corpo. Eu me movimentava, emitia sons, abria muito minha boca e meus olhos, mas parecia que tudo acontecia sozinho, independente da minha vontade. Deixei tudo acontecer, não me preocupei em fazer nada e não tive medo.

Mais uma contração forte e de joelhos e a cabeça saiu. Na próxima contração senti seu corpinho escorregar para fora, o que foi até gostoso. Nesta hora, o Cris já estava atrás de mim e, junto com a Aline, recebeu nossa filha em seus braços. Estela nasceu às 21h56 do dia 27 de junho de 2011, a noite mais fria dos últimos 11 anos em Curitiba.

As dores cessaram instantaneamente e o Cris entregou nossa pequenina para mim. Não sei descrever o que eu sentia neste momento, pois conhecer minha pequena depois de tudo isso era uma mistura de algo forte e poderoso com uma sensação doce e singela, natural. Sentei sobre o edredom e coloquei ela no peito. Ela tinha os olhinhos bem abertos e, antes de mamar, olhava com atenção para a gente. Logo soltou seu primeiro chorinho e então mamou com vontade, sabendo o que estava fazendo. Ficamos todos ali durante muito tempo, na penumbra, vivendo aquele momento mágico.


Primeira mamada da Estela alguns minutos depois de nascer.

Cris cortando o cordão (sem flash, pra não estragar o momento).


Depois de uma hora e meia resolvemos dequitar a placenta pois eu já estava cansada de sentir dores e ela estava presa por uma membrana, demorando muito para sair. Então o Cris cortou o cordão, que já não pulsava há tempos, e a Maria Rita e a Aline pegaram a Estela para pesar e medir. Quanta diferença do tratamento dado no nascimento da Olivia! Estela ficou o tempo todo comigo, no quarto escurinho e quentinho, e foi delicadamente pesada e medida ("sem esticar muito", conforme eu pedi, hehehehe). A Aline revisou o períneo e viu uma pequena laceração, mas decidimos nem dar ponto pois não estava sangrando. Estela caiu em um sono profundo e então eu fui esquentar uma sopa para todos. Me sentia ótima e absurdamente feliz com tudo o que tinha acontecido.  Nossas parteiras deixaram nossa casa por volta das 2h da madrugada e eu tomei um banho e fui deitar com a Estela e com o Cris, no quarto em que ela nasceu.


Nossa Estrelinha.
Mas o melhor de tudo ainda estava por vir. O que aconteceu depois do parto foi algo realmente mágico. Na manhã seguinte, Olivia acordou e veio conhecer a irmãzinha. Ela ficou encantada e ficamos os quatro, no quartinho delas, curtindo nossa família que acabava de aumentar. O clima que ficou em nossa casa durante muitos dias era de uma paz absoluta. Me sentia em plena lua de mel, daquelas que você não quer que acabe nunca. Não sei explicar direito como foi tudo isso, mas parece que estávamos dentro de uma nuvem maravilhosa por mais de uma semana, com muito amor e delicadeza. Todos os que chegavam eram contagiados por isto e tomo o cuidado para nunca me esquecer desta sensação e para tentar reavivá-la sempre entre nós. Esta foi a luz que a nossa Estrelinha nos trouxe quando nasceu em nossa casa, recebida pelas mãos de seu pai, acolhida por sua mãe e muito festejada por sua irmãzinha.


Estela Lopes Stange, nascida em 27 de junho de 2011, as 21h56,
em nossa casa, na Rua Francisco Rocha, Curitiba.

Escrito por Mônica Lopes Stange.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Como escolher o dia certo para seu bebê nascer

Antes de pensarmos sobre a questão proposta no título deste post, façamos uma visualização.

Pense no seu filho ou filha que está dentro de você. Se não está grávida, pense em uma pessoa que ainda não possui, ou já não possui, autonomia para decidir sobre sua própria existência.

Agora, mentalizando esta pessoa, analise seu aspecto físico, sua personalidade (é muito agitada, é mais tranquila...). Respire lenta e calmamente. Some a esta imagem aspectos de sua realidade, do tipo: “quartas-feiras são dias menos corridos para mim”, ou “finais de semana meu marido não precisa trabalhar”, ou ainda “a partir do dia 25 posso entrar em férias”. Então agora feche os olhos e escolha qual o dia para esta pessoa morrer. Sim, eu escrevi morrer.

........

Para alguns isso pode soar ridículo, para outros pode causar repulsa. Mas, quando pensamos no dia de nascer este raciocínio já nos torna tão natural. Por quê?

O que será que nos faz acreditar que sabemos o dia certo que um bebê deve nascer. O que nos faz acreditar que tenhamos este poder sobrenatural. Se não podemos decidir o dia da morte e nem mesmo o da concepção de um indivíduo, o que nos faz acreditar que sabemos o dia em que ele pode nascer?

Porque não esperamos? Porque não aguardamos os sinais que demonstrem que ele está pronto para nascer? Porque acreditamos em todas as coisas que nos dizem para justificar que é chegada a hora de nosso bebê sair de dentro de nós, ainda que ele não manifeste qualquer sinal de que o deseja fazer? Por que não o respeitamos? Por que não confiamos que se ele ainda está em nosso útero há uma razão e isso deve ser importante para ele? Fazemos isso quando uma pessoa está na iminência de morrer, mas ainda não morreu. Pensamos “isso é de alguma forma importante para ela”, e então, por mais penosa que seja a situação, esperamos. Esperamos e confiamos, crentes de que há uma coordenação maior que rege a vida e que sabe o momento certo de desliga-la.

O ideal seria usarmos a mesma linha de raciocínio para o nascimento. Ninguém, incluindo aqui também os médicos, pode saber o dia em que um bebê deve nascer. Esta “informação” pertence a outra esfera de conhecimento. E nós, mulheres, que tanto nos preparamos com estudos e cursos para os desafios de nossa vida profissional, temos o dever de fazer o mesmo em relação aos filhos que gestamos.

É nosso dever usar a lógica e questionar. Buscar um sentido naquilo que nos é dito e proposto. Estudar e entender o que realmente é um problema fisiológico que ofereça risco de vida ao filho que trazemos no útero, para só então optarmos por uma cirurgia.

Não quero aqui demonstrar que o nascimento fisiológico é mais benéfico do que o cirúrgico. A própria ciência já fez isso para provar àqueles cuja lógica de raciocínio não levou a esta conclusão. O gráfico que demonstra os benefícios da cirurgia para retirada de bebês do útero de suas mães , é um gráfico em “U”. Isso demonstra que nos países onde estas cirurgias não ocorrem por falta de acesso e condições precárias de desenvolvimento sócio-econômico, os índices de mortalidade materno e infantil então lá em cima, na ponta superior esquerda do “U”. À medida que o número desta cirurgia aumenta o índice da mortalidade vai caindo, chegando na base do “U” quando a porcentagem de cesarianas do país chega nas casa dos 15% do total de nascimentos. Depois, à medida que o número desta cirurgia vai aumentando os índices de mortalidade voltam a subir, crescendo no lado direito do “U”.

No Brasil chegamos ao alarmante número de 80% de nascimentos cirúrgicos nos hospitais da rede particular, e isso com certeza representa uma superexposição de mães e bebês a riscos desnecessários.

São mulheres escolarizadas, muitas vezes altamente capacitadas, com uma cultura incrível! Mulheres que não se acanham diante dos desafios, que se esforçam, se dedicam, conquistam. Porém nesse momento da vida em que gestam um filho parecem não usar todas estas ferramentas maravilhosas para pensar sobre a questão.

Se você está grávida e ainda está lendo este post, então vá atrás de informação! Procure alguém em sua cidade que entenda e acredite no parto fisiológico. Use a internet e pesquise! Há inúmeros sites, blogs e listas de discussão online sobre o parto natural. Questione o profissional que a atende, raciocine sobre o que ele a fala. Faça escolhas, você tem esse direito. Mas, acima de tudo, reflita e veja o que faz sentido para você!

Caso opte por não escolher o dia em que seu bebê vai nascer, então saiba: não será uma caminhada fácil. Dizer não ao produto que o sistema tão bem preparou para nos oferecer é muito trabalhoso. Requer uma grande carga de energia, confiança em si, no seu bebê e na vida. Requer crescimento e amadurecimento. Requer assumir seu corpo, o filho que está dentro dele e os mecanismos criados por Deus para propiciarem que a vida floresça.

Você será vista e rotulada com louca, irresponsável, insensata, insensível e até mesmo egoísta. Você irá incomodar o sistema. Portanto, fortaleça-se.

Ao mesmo tempo você terá uma rede de outras mulheres no mundo todo te sustentando e te fortalecendo. Vá em frente, se teu coração disser que é possível. Acredite nele. E cerque-se, ainda que virtualmente, de pessoas que te apoiam.

Este post não é um atentado contra os avanços da medicina ou um retrocesso. É um apelo ao bom censo. É um chamado à razão. A cirurgia cesariana é uma benção, uma conquista inquestionável, assim como várias outras maravilhosas descobertas humanas que surgem e pelo mau uso passam a ceifar vidas.


Cesárea? Para quê? Eu posso parir!


Desejo que “tenham uma boa hora”!




A QUANTIDADE DE CIRURGIAS CESARIANAS QUE TENHO VISTO ACONTECER POR MOTIVOS OS MAIS BANAIS POSSÍVEIS ME FIZERAM ESCREVER ESTE POST.

ISSO TAMBÉM ME MOTIVOU A CRIAR UM GRUPO PARA CONVESAR SOBRE TEMAS LIGADOS AO PARTO E NASCIMENTO.

DIA 30 DE SETEMBRO TEREMOS NOSSA PRIMEIRA RODA DE CONVERSAS SOBRE HUMANIZAÇÃO DO PARTO E NASCIMENTO COM A PRESENÇA DA MÉDICA OBSTETRA E GINECOLOGISTA ROSE FISCHER. SERÁ UM ENCONTRO GRATÚITO E ABERTO A TODOS OS INTERESSADOS. FALAREMOS SOBRE A “DATA PROVÁVEL DE PARTO”.
Maiores informações aqui mesmo no blog na página "Encontro de Gestantes".

Para saber mais, sugiro os livros:
Parto normal ou cesárea? O que toda mulher deve saber (e todo homen também). Simone Grilo Diniz e Ana Cristina Duarte. Editora Unesp.
Parto Ativo: guia prático para o parto natural. Janet Balaskas. Editora Ground.
Quando o corpo consente. Marie Bertherat, Thérèse Bertherat e Paule Brung. Editora Martins Fontes.
O renascimento do parto. Michel Odent. Editora Saint Germain.

Conheça também os sites:




terça-feira, 6 de setembro de 2011

DIVULGANDO - Aromaterapia e Shantala em Curitiba

OFICINA DE AROMATERAPIA APLICADA À GESTAÇÃO

Promova bem-estar, aconchego e tranquilidade durante a gestação com as gotas preciosas da Mãe Terra: os Óleos Essenciais.

Esta oficina oferece fundamentação teórica para a utilização da aromaterapia durante a gestação, parto, pós-parto e no período de amamentação.

Público alvo: doulas, enfermeiras e médicas obstetras, psicólogas, fisioterapeutas, naturoterapeutas, terapeutas ocupacionais,
educadoras perinatais e demais profissionais ligados direta ou indiretamente ao cuidado à gestante.

Data: 11 de setembro de 2011.

Carga horária: 8h, das 9h às 18h30, com intervalo para almoço.

Local: Sede da Aypar - Rua João Skalski, 61 - Jardim Botânico - Ctba, PR

Ministrante: Vishwa Schoppan


Conteúdo Programático:
Introdução à Aromaterapia;
Uso e aplicação de Óleos Essenciais OE e Óleos Vegetais OV durante a gestação;
Uso dos OE na prevenção e cuidados à dor lombar, inchaços em geral, insônia, ansiedade etc.
Os OE contraindicados no primeiro trimestre e durante toda a gestação;
Aromaterapia aplicada ao momento do parto (OE indicados no auxílio ao TP);
Aromatização do ambiente da sala de parto;
OE indicados no pós-parto e período da amamentação;
OE auxiliares na depressão pós-parto.

Investimento para cada oficina: R$220,00
Desconto especial para inscrições realizadas até 26/08
Investimento para cada oficina com desconto: R$190,00

Informações e Inscrições:
Nicole Passos
41 9832 6646 (tim) . 41 3328 0449 (res)
:: http://naturoterapeuta.blogspot.com/ ::

Leia também, aqui neste blog, artigo da aromaterapeuta Mônica Stange: AROMATERAPIA E PARTO


CURSO DE SHANTALA - massagem para bebês

Venha conhecer os benefícios, a técnica e a arte da massagem para bebês!

Detalhes do Curso:

Duração: 4 encontros

Público alvo: gestantes, mães, pais, avôs, avós, babás e demais interessados.

Datas dos encontros: 04,11, 18 e 25 de outubro (terças-feiras)

Horário: das 10:00 às 11:00

Investimento: R$ 100,00

Local: Studium Maxicorpore
Rua Dias da Rocha Filho, 206
Alto da Rua XV - Curitiba
Telefone: (41) 3079-8915

Inscrições: até 30 de setembro

Para os bebês, trazer uma toalha grande e óleo vegetal puro (amêndoa doce, camomila, côco).
As gestantes devem trazer uma boneca grande.

Vagas Limitadas!

Para mais informações, entre em contato:
Katya Kur Bleninger
Doula

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A ameaça

Esta semana a revista Veja traz um artigo intitulado “A ameaça da canção de ninar”, assinado pela psicanalista Betty Milan. O artigo é curto, simples, mas me proporcionou múltiplas análises e analogias.

A inspiração para este artigo, de acordo com Betty, veio de uma cena vista por ela na TV aberta, em que um pai (ator) embalava seu bebê e cantava a tradicional canção brasileira da cuca – “Dorme, nenê, que a cuca vem pegar / Papai foi pra roça / Mamãe foi passear”. De acordo com Betty, e na realidade isso é muito óbvio para qualquer adulto, a canção é ameaçadora, remete a criança à sensação de abandono total e ainda ao risco de ser pega por uma velha parecida com um jacaré. Algo realmente e inquestionavelmente aterrorizante.

Então a psicanalista questiona como explicar a vigência de comportamento tão assustador dos adultos em relação às crianças. Ela nos alerta de que nós, mães, pais ou qualquer outra pessoa que assuma a função de um educador, precisamos nos atentar para aquilo que dizemos. Que toda e qualquer palavra dita está compondo a formação daquela criança e tem consequências.

Este foi um dos pontos em que pude fazer um a analogia com o comportamento das mulheres em relação à assistência obstétrica que temos hoje. A relação de uma mulher grávida com o médico obstetra está baseada no medo e na ameaça (há algumas exceções, ainda bem!). É comum ouvirmos “você está colocando seu bebê em risco”, “isso pode causar danos cerebrais irreversíveis ao seu filho”, “você quer que seu filho tenha problemas?”, “assim seu bebê poderá morrer”. E é interessante como nós, mulheres, nos comportamos como crianças diante de tais ameaças. Ficamos paralisadas, aterrorizadas. Porém, é bom lembrar que já estamos grandinhas e não precisamos dormir profundamente para fugirmos deste bicho papão. Temos sempre a condição e a possibilidade de não nos deixarmos submeter pelo medo, diferentemente da criança.

Betty Millan vai além! Ela finaliza o artigo com um belíssimo parágrafo que transcrevo aqui:

“Ninguém é obrigado a procriar. A obrigação está fora de moda. Mas quem tiver filho precisa se ocupar dele durante a infância com devoção e inteligência, contrariando os hábitos, se preciso for. A vida não é fácil e, para evitar dificuldades futuras, a prevenção é sempre melhor do que o tratamento. Nós só nos esquecemos disso porque não somos educados para ser felizes, e sim para repetir o que os outros fizeram sem se questionar.”

Isso é simplesmente MARAVILHOSO! E nos dá, enquanto mães e pais, a noção de nossa responsabilidade e compromisso.

E eu, em um ousado ato de mais uma analogia, me arrisco a escrever:

“Ninguém é obrigado a ser obstetra. A obrigação está fora de moda. Mas quem o quiser precisa se ocupar das mulheres grávidas e seus partos com devoção e inteligência, contrariando os hábitos, se preciso for. O exercício desta profissão não é fácil e, para evitar complicações futuras, o natural é sempre melhor que as intervenções humanas. Nos esquecemos disso porque não somos formados para nos curvar diante da vida, e sim para repetir o que os outros fizeram sem se questionar.”

Bem, e mostrando que sempre temos opção, segue letra de uma canção de ninar que uso para embalar minha filha, adaptada de uma tradicional canção, com toques personalizados:

“Dorme, dorme, minha filha / Dorme um sono tranquilo / Dorme, dorme, minha filha / Meu anjinho encantador.

Que as bênçãos de Deus / Venham te proteger / E que os anjos do céu / Fiquem junto a você.

Já é hora de dormir / Hora de descansar / Um soninho bem gostoso / Já é hora de nanar.

Dorme, dorme, Laís / Dorme um sono tranquilo / Dorme, dorme Laís / Tenha um sonho feliz!”


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Workshop de Parto Ativo para casais grávidos de Curitiba

Neste sábado, 20/08, teremos mais um workshop de Parto Ativo para mulheres e casais que desejam vivenciar com mais consciência e preparo o nascimento de seus filhos.

Este workshop será ministrado pela Talia Gevaerd de Souza, psicóloga da gravidez, parto e pós-parto; instrutora de yoga e parto ativo pré e pós natal, formada pelo Active Birth Centre; e doula.

Talia é atualmente a única profissional no Brasil formada em Parto Ativo. Ela mantém contato direto com Janet Balaskas e trabalha para concretizar a formação da primeira turma de profissionais em Parto Ativo no Brasil.


Dentre os temas abordados neste evento estão:


- O que acontece no processo do nascimento, quais os sinais de trabalho de parto.



- O comportamento e as necessidades da mulher e como seu acompanhante pode ajudá-la.


- As necessidades do acompanhante.


- Quais os procedimentos obstétricos mais comuns e como minimizar seus impactos.


- Recursos úteis para o ciclo do nascimento (posições, respiração, massagens, óleos...).


- A sensibilidade do nascimento. A força da mãe. O que são e como percebê-las.


- Posturas que favorecem o bem estar da mãe e do bebê e aliviam sintomas como dores nas costas e inchaços.


- Relaxamento profundo.


- Após o nascimento do bebê: como e por que valorizar ao máximo o 1º contato mãe/bebê, a importância deste momento para a saúde atual e futura da mãe e do bebê, a saída da placenta.


- O início da amamentação

A abordagem feita por Talia é sempre de forma teórica intercalada com muita prática. Os participantes levarão ainda apostila com o conteúdo e com referências bibliográficas.

Seguem informações do evento:
DATA: 20/08/2011
HORÁRIO: 09h30 às 18h30 (com intervalo para almoço)
LOCAL: Rua Padre Anchieta, 820, Mercês
INVESTIMENTO: R$ 180,00
Para fazer sua inscrição entre em contato: 9106.9673 ou 9102.7587

PARTO NATURAL HUMANIZADO - divulgue esta idéia!




segunda-feira, 21 de março de 2011

COMPARTILHANDO - post em apoio à manutenção do Curso de Obstetrícia da USP

A obstetriz é a profissional ideal para o atendimento ao parto da forma como acreditamos - respeitando a mulher! Declaro meu total apoio à manutenção deste curso. O fim deste curso será a vitória da vaidade humana sobre o interesse da coletividade!
Vejam a carta de Simone Diniz, grande pesquisadora da área da saúde.


"Estimados colegas,

Como vocês devem estar acompanhando, a Reitoria da USP ameaça não oferecer ocurso de Obstetrícia no vestibular de 2012. Isto porque o Conselho Federalde Enfermagem se recusa a aceitar o registro das obstetrizes (apesar delasterem seu direito de registro garantido na justiça). Como tenho muitasamigas enfermeiras e tenho grande respeito por esta profissão, quero dizerque muitas discordam desta atitude do seu conselho e acham que asenfermeiras e obstetrizes devem estar unidas na luta por uma assistência aoparto que respeite os direitos da mulher.

Como ativistas e pesquisadores no campo de saúde e direitos da mulher,sabemos que o que o Brasil precisa hoje é de profissionais capazes defacilitar o parto fisiológico, promover um parto seguro e respeitoso, ereduzir as inaceitáveis taxas de episiotomias, induções, kristeller e outrasintervenções obsoletas, agressivas, dolorosas e arriscadas no parto. Estecenário de parto agressivo somado à violência institucional e ao desrespeitoao direito a acompanhantes, faz com que muitas mulheres, para escapar daviolência, prefiram uma cesárea desnecessária, com todos os riscosimplicados para mãe e bebê. Ou seja, temos um conflito de interesses: manteras coisas como estão – um “parto pessimizado”, favorece aquelesprofissionais que se beneficiam com este modelo violento, pois assim podemimpor às mulheres o “modelo da cesárea de rotina” como alternativa “melhor”.

*A parteira de nível universitário é a profissional que atende os partos dasmulheres saudáveis nos países desenvolvidos, e que está associada aosmelhores resultados maternos e neonatais*. O Brasil precisa destaprofissional com urgência, em um sistema de atenção integral ehierarquizado, principalmente agora que estamos nos perguntando os porquêsdo aumento das taxas de mortalidade e morbidade materna, e os porquês detanta violência no parto.

Se você se importa com este quadro, rogo que assine o abaixo-assinadopedindo a manutenção do curso:


Convidamos também para a manifestação na porta da Reitoria da USP, no dia22/03 às 9:00h - Link: http://www.facebook.com/event.php?eid=202473466447962&index=1

Peço ainda que se este assunto toca você, convide os amigos e colegas, edivulguem nas suas listas e redes sociais esta luta.

Um abraço e preparem seus cartazes, dia 22 iremos às ruas, será nosso dia defúria."


Simone Diniz - Faculdade de Saúde Pública da USP
FONTE: http://www.facebook.com/notes/tha%C3%ADs-peloggia-cursino/carta-da-simone-diniz-em-apoio-ao-curso-de-obstetr%C3%ADcia-da-each-usp/155414127852417


Post original: http://partonobrasil.blogspot.com/2011/03/post-extraordinario-carta-de-simone.html








terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Doula Curitiba

Transcrevo aqui, com grande alegria, o post que inaugurou o grupo Doula Curitiba!
Acredito em um trabalho feito com amor e união, em prol de algo muito maior do que todas nós individualmente, e por isso desejei, desde o início, que tivéssemos um grupo de doulas aqui em Curitiba!

Queria companheiras, agradeço a vocês pelo trabalho que realizam!
Que todas possamos usufruir dos feitos e conquistas deste novo grupo!

http://www.doulacuritiba.blogspot.com/



O DESEJO DE UNIÃO

O Grupo Doula Curitiba surge da percepção de que sozinha é difícil doular.

Não digo difícil do ponto de vista das ações e técnicas que usamos durante um parto, ou da preparação do casal grávido com informações. Digo difícil quando penso na extensão que este maravilhoso trabalho pode alcançar.

É neste sentido que unidas a coisa fica mais fácil!

Somos todas mulheres que em algum momento de nossas vidas, por uma razão bem específica ou por um desejo ardente, passamos a nos dedicar a outras mulheres e a suas gestações, seus partos, seus seios fartos de leite, seus filhos, suas famílias.

Em algum momento fomos fisgadas pelo poder supremo da vida, pela intensidade do amor que permeia o nascimento e praticamente nos viciamos na alegria que brota, espontânea e abundante, quando uma mulher dá a luz ao filho que carrega no ventre.

É para que esta maravilhosa sensação atinja um número cada vez maior de famílias que nos unimos.

Trabalharmos juntas, por um mesmo propósito e com a mesma crença, ainda que em formatos diferentes; este é o nosso desafio.

Proporcionarmos o despertar para a beleza da vida cada vez em mais mães, pais e profissionais da saúde; esta é a nossa meta.

Oferecer mais amor aos novos seres humanos quando chegam ao nosso planeta Terra; esta é a nossa missão.

Um pequeno trecho da descrição sobre trabalho de Gibran Khalil Gibran (um dos maiores escritores do Oriente), pode traduzir este desejo de união:


“... E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.


E todo impulso é cego, exceto quando há saber.

E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.

E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.


E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios, e uns aos outros, e a Deus...”


Este grupo é aberto a todas as doulas de Curitiba!

Grande abraço,
Inês Baylão - Doula de Parto

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vossos filhos não são vossos filhos

“Vossos filhos não são vossos filhos.



São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.


Vêm através de vós, mas não de vós.


E embora vivam convosco, não vos pertencem.


Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos.


Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.


Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.


Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.


O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe.


Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria: pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.”

Gibram Khalil Gibram

Hoje, pela primeira vez, deixei minha filha sozinha na escola.

Vê-la entrando para salinha sem ao menos olhar para trás para dizer “tchau mamãe” fez-me lembrar da poesia de Gibram e do apego que desenvolvemos pelos filhos. Acreditamos que eles precisam de nós, quando somos nós quem criamos dependência deles.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Juntos, chegaremos lá!!!

Hoje foi grande minha alegria ao ver que o programa Mais Você reprisou a matéria sobre o trabalho das doulas Assita à matéria aqui!. Alegria em dose dupla! Primeiro porque a matéria foi gravada durante o meu curso de formação no GAMA, então pude rever nossa turma e nossa querida instrutora Mariana de Mesquita, uma doula fantástica!


Alegria também por perceber que a matéria provocou grande repercussão para justificar uma reprise na TV Globo! E isso é um ótimo sinal. Sinal de que nossa sociedade está insatisfeita com o modelo atual de atendimento ao nascimento. Sinal de que as mulheres estão em movimento, estão em busca de alternativas que lhes satisfaçam o desejo. Sinal de que as coisas estão mudando!

Ainda é real a prevalência do modelo obstétrico focado na tecnologia e não no ser humano. Ainda é real o desconhecimento da nossa sociedade sobre o parto (incluindo também os profissionais de saúde) e a falta de respeito ao indivíduo que nasce. Mas é cada vez maior o número de pessoas que se unem e que o universo se encarrega de colocar em contato para a busca de uma forma mais harmoniosa de se nascer.

Cada vez mais me convenço de que é essa rede de apoio entre os indivíduos que fará a diferença na vida de uma mãe e seu filho quando estiverem vivenciando seu trabalho de parto. É neste apoio que está a força para se conseguir e é na troca entre os profissionais e as mulheres que está a sabedoria do parir.

Quando cada mulher me procura para um atendimento, sedenta de que eu lhe dê garantias do êxito de seu parto, o que posso lhe oferecer é isso: apoio e informação. Apoio para ela se sentir fortalecida em ir ao encontro de seus desejos, e informação para que consiga acreditar em sua sabedoria inata de fêmea no momento de parir sua cria.

Juntas, ou melhor, juntos (porque muitos homens fazem toda a diferença nesta hora) chegaremos a uma realidade mais humana, a uma forma mais suave e carinhosa de recebermos estes novos indivíduos que chegam para coabitar conosco em nosso mundo!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sobre parir em casa

Compartilho hoje com vocês um post do blog Nascer Natural sobre alguns mitos a respeito do parto domiciliar. Vale a pena refletirmos sobre cada ponto abordado por Adelita!


È necessário uma Ambulância na porta de casa, como na Holanda.
Existe uma crença popular (e entre o meio médico), inclusive no Brasil, que não sei da onde vem, mas da Holanda é que não é, de que em partos domiciliares há uma ambulância na porta de casa. Porque iriam oferecer o parto em casa na Holanda se teem que disponibilizar um exército de ambulâncias paradas nas portas das casas por todo o país? Não seria algo muito lucrativo! Precisamente o governo proporciona o parto em casa pois além de mais barato, melhora os resultados, reduz a mortalidade e aumenta a satisfação da população. As parteiras (diplomadas) vão atender o parto em carros próprio, bicicletas ou se preferirem a pé. O fato é que na Holanda ao se chamar uma ambulância esta chega em torno de 15 minutos. Ambulância na porta de casa é FANTASIA!!!

Antes morriam muitas mães e bebês, por esta razão se passou a parir no hospital.
A mortalidade materno-infantil já havia decrescido antes do parto passar a ser hospitalar, graças aos medicamentos, vitaminas e melhoras na dieta e higiene, vestes e moradias. No entanto, a atenção ao parto em casa era muito diferente, as parteiras não tinham os recursos que possuem agora, nem material como oxigênio e ambu, nem conheciam bem as mães, ou podiam escutar os batimentos cardíacos do bebe com a freqüência de agora. Também se alguém morria era considerado normal, não se culpava a parteira (que fazia o que podia). Hoje em dia não se coloca ninguém em situação de risco, nem a parteira nem a família!!

Em casa não há sala de cirurgia estéril, há risco de infecção.
Há muito tempo isto foi desmentido. O risco de infecção aparece ao entrar pela porta do hospital, e acontecem diariamente, inclusive infecções graves e fatais em mães e bebês, já que se produzem feridas cirúrgicas, incisões, suturas, intervenções e manipulações invasivas por parte de várias pessoas diferentes. Em sua própria casa o risco é mínimo e certamente não se conhece algum caso!

Vou parir sozinha como os animais, se há tanta tecnologia hoje em dia!?
A tecnologia não ajuda no parto, já que é um processo espontâneo, íntimo, sexual, mamífero, que requer simplesmente deixar a mãe fazê-lo. Entretanto, a medicina e a tecnologia são muito eficazes para aqueles poucos casos em que há realmente necessidade. Uma cesárea pode salvar a vida de uma mãe que, por exemplo, esta tendo uma hemorragia ou uma eclampsia, ou um bebê com sofrimento fetal. Fora estes casos, e as indicações absolutas e reais, não freqüentes, as intervenções causam apenas aumento dos riscos que não existiam. As parteiras profissionais, enfermeiras obstetras ou obstetrizes, que atendem o parto em casa, são treinadas para atuar em situações de emergência e levam o material para tal atendimento, podendo sair com êxito dos problemas freqüentes. Assim, não é como os animais ou parir sozinha.

Mas...e se acontece algo?
Como já comentado as profissionais que acompanham o parto domiciliar dispõem de recursos e materiais para atuar em casa, mas às vezes pode ser necessária a transferência para um hospital. Aqui no Brasil, há alguns grupos de acompanhamento de parto domiciliar planejado, neste planejamento estão as possíveis rotas para os hospitais mais próximos em caso de desistência, urgência ou emergência. Normalmente se utiliza o próprio carro para a transferência, também pode ser uma ambulância (que pode demorar mais). A maioria das situações de transferência se dá em uma margem de meia hora e podem ser detectadas mais rapidamente que se estivessem no hospital a cargo de duas ou três mulheres de uma só vez.

Enfermeira Obstetra e Mestre em