domingo, 5 de setembro de 2010

O nascimento reduzido a um time de futebol!!!!

A reportagem exibida no Jornal da Globo sobre o centenário do Corinthians inspirou as reflexões deste post. Veja a matéria no link abaixo e boa leitura, ou melhor, boa reflexão!
Vídeo: Família marca nascimento da filha para o dia do centenário do Corinthians


A cesariana, criada para salvar vidas de mães e bebês em risco, é usada hoje descontroladamente, para atender a caprichos, gostos e preferências da sociedade.
Ora convém mais ao médico, ora ao hospital, ora aos pais ou à família... E o bebê, onde fica nessa história? É como se para ele não fizesse diferença, é como se na verdade ele não fosse um bebê e sim um bonequinho, um objeto.
Sim, porque são os objetos que se destinam a nos servir e atender nossas preferências. São eles que nós compramos, usamos, exibimos e jogamos fora. São os objetos, os desprovidos de qualquer emoção ou sentimento, mas não os bebês!
Os bebês são seres humanos que vêm povoar nosso planeta, conviver conosco! Eles ouvem, enxergam, sentem e após nove meses de intenso trabalho de formação no ventre de suas mães eles só precisam ser respeitados e amados. Respeitados enquanto individualidade que é fisiologicamente apta a escolher o momento que deseja nascer e amados independente e acima de qualquer condição, seja a de ser corintiano ou não, saudável ou não, menina ou menino. Fazer festa para receber um bebê realmente é muito bom e eles adoram chegar ao nosso mundo em festa! O melhor de tudo é que não precisa muito para organizá-la, basta silêncio, pouca luz, temperatura quentinha, bons pensamentos e muita, mas muita harmonia.
Realmente essa não é uma festa na qual se convide um “bando de loucos”!
É uma pena que ainda não consigamos ver o nascimento dessa maneira!
É uma pena que mulheres ainda se permitam ser apenas objetos de procriação e não valorizem a fantástica transformação que o parir de um filho pode lhes causar!
É uma pena que médicos ainda acreditem “trazer” a vida ao mundo, quando a vida explode por si, e são a mãe e o bebê os atores desta explosão!
É uma pena que em um país onde o índice de cesarianas é três vezes maior que o recomendado pela OMS, a imprensa busque notícia em fatos tão tristes e que incentivam essa nossa dramática realidade!
É uma pena que tudo isso passe despercebido para a maioria dos brasileiros, apaixonados por futebol e tão pouco apaixonados pelo nascimento!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Manifesto pelas Mães



O Grupo Cria é um grupo de mulheres que se uniram para lutar pelo seu direito de exercerem a maternidade de forma consciente. Elas criaram um manifesto lindíssimo que está descrito abaixo para vocês conhecerem. Quem se identificar pode entrar no site e também assinar o manifesto.
Boa leitura!!!


MANIFESTAMOS PELAS MÃES
Mãe que dá o melhor de si e convive com a cronica sensação de que nada é o suficiente.
Mãe de carne, osso e vísceras que, ao se perceber humana, sente-se cada vez mais distante do ideal de devoção da Santa Mãezinha. E por isso se culpa.
Mãe que comprou o sabonete com óleos essenciais, o iogurte com fibras, o desinfetante com cloro ativo, a fralda com bloquigel e mesmo assim seu filho não dormiu a noite inteira, seu marido se queixa e sua casa não é o templo limpo, perfumado e livre de insetos que aparece na TV.
Mãe mulher, dona de casa, profissional e amante, que segue passo a passo as dicas das revistas femininas para conciliar seus inúmeros papéis e virar “super”, mas ainda não encontrou sua capa.
Mãe cuja única preparação para a mais dramática mudança da sua vida foi o cursinho da maternidade e, se privilegiada, a decoração do quartinho e a compra do enxoval.
Mãe que vive em uma sociedade que a glorifica, ao mesmo tempo em que a obriga a terceirizar a criação dos seus filhos. Seja por necessidade, independência ou reconhecimento. Como se, em qualquer um desses casos, essa não fosse uma decisão extremamente difícil.
Mãe que se divide diariamente entre a administração do lar e da profissão, encarando múltiplas jornadas que a levam constantemente à exaustão física e emocional.
Mãe que se dedica de corpo e alma ao significativo projeto de criar uma criança, enfrentando um nível de cobrança superior ao de qualquer chefe ranzinza e cliente exigente. 365 dias por ano, 24 horas por dia. E mesmo assim é percebida como alguém que não faz nada. Até por si mesma.
Mãe pobre que, quando opta pelos filhos, é acomodada. Quando rica, é madame. E, quando profissional, é ausente.

MANIFESTAMOS PELA MATERNIDADE

E, portanto, pela liberdade de sentir. De seguir os instintos. De viver em plenitude emoções e sentimentos totalmente femininos. Pois negá-los, seria abrir mão daquilo que faz da mulher, um ser único.
Manifestamos pelo direito de cada mulher escolher o papel que melhor lhe cabe no momento. Sem se sentir pressionada, desmerecida ou julgada pelo que decidiu não ser.
Manifestamos por parir de forma saudável, humana e tranquila e que essa seja uma decisão consciente da mãe. Amparada por uma equipe de profissionais da saúde que a respeitam, orientam, acompanham e zelam pelo bem estar dela e do bebê.
Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.
Manifestamos pela aceitação da metamorfose e da mudança de valores que a chegada de uma criança proporciona na vida de qualquer adulto. E pela valorização desta transformação na sociedade, como contraponto para a cultura do egoísmo e da juventude eterna.

MANIFESTAMOS PELO ATIVISMO ANÔNIMO E INCANSÁVEL DAS MÃES

Nas trincheiras domésticas de uma sociedade cada vez mais dominada pelas leis cruéis do mercado.
E apoiamos as mães que questionam. Que boicotam.
Que compram e deixam de comprar. Que sabem o que servem à mesa e o que jogam no lixo.
Que desligam a TV, controlam o videogame e a quantidade de açúcar.
Mães que tentam proteger a infância e não desistem diante do bombardeio de mensagens que estimulam a erotização e o consumo precoces.
Mães que empreendem, que inventam, que abrem mão, que buscam alternativas, que assumem o vazio e a sobrecarga. E promovem viradas.
Mães que brigam por uma escola melhor, mais humana e significativa; pública ou privada.
Que pensam globalmente e agem localmente, casa a casa, família a família.
E que administram seus lares, como se ali começasse a mudança que desejam para o planeta.

MANIFESTAMOS PELA TOMADA DE CONSCIÊNCIA FAMILIAR

Pela valorização do papel da mãe no seio da família e pelo fim das hipócritas tentativas de minimizar a diferença que a presença dela faz.
Pelo reconhecimento da vital importância da maternidade para a humanidade, e por ações sociais e políticas que valorizem e estimulem a atuação da mãe.
Por uma rede de relacionamentos que coloque novamente mulheres de diferentes gerações em contato, reconstruindo referências que foram deturpadas e estereotipadas pela mídia e pela sociedade.
Por mães unidas para estudar, compartilhar experiências e desenvolver novos pontos de vista para este tema milenar, universal e ainda tão incompreendido.
Por uma nova formação familiar, focada no bem estar integral dos seres humanos e não somente no bem estar material.
Por pais que valorizam a tomada de consciência materna, dando sua participação necessária para que ela floresça. Mesmo sem entendê-la completamente.
Por mães que partilhem com seus parceiros as responsabilidades, agruras e alegrias de se cuidar dos filhos, sendo entendido que eles pertecem aos dois, igualmente.
Manifestamos pela ausência de fórmulas, de guias práticos e de respostas prontas, pois cada mulher é livre para buscar seu caminho e desenvolver sua história. No seu tempo, no seu ritmo e na sua individualidade.
Manifestamos pela conciliação de uma maternidade moderna com uma maternidade mais plena.
Manifestamos por você e por nós. Pela Terra e por todos os filhos que dela vieram e ainda virão.

Manifestamos pelas mães!