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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Parto Humanizado em Curitiba


Foi em 2009 que tomei contato pela primeira vez com o movimento pela humanização do parto aqui de Curitiba. De lá para cá muita coisa bonita já aconteceu, conquistas nossas – mulheres ativistas e profissionais humanizados, que por um caminho ou outro vamos lançando sementes por onde passamos, vamos deixando marcas de respeito, competência, humanismo, amor!

Desde 2009 diferentes grupos de apoio às gestantes, ao parto natural e às mães com bebês foram criados em nossa cidade. Recebemos em solo curitibano, importantes e renomados profissionais nacionais e internacionais para proferirem palestras e ministrarem cursos. Médicos obstetras e pediatras foram lentamente revendo suas práticas e atualizando suas condutas. Hospitais e maternidades foram se adequando à lei do acompanhante e se familiarizando com o trabalho das doulas. Lindos partos começaram a acontecer nos apartamentos dos hospitais e uma equipe de parteiras urbanas se formou, nos presenteando com a possibilidade de um parto domiciliar planejado!

Ainda temos muito o que avançar e melhorar, é fato. Mas não podemos deixar de reconhecer tudo o que já conquistamos!

SIIIIIIIIIMMMMMIM, nós temos um movimento crescente em nossa cidade e do qual eu me orgulho de fazer parte! Nós participamos de forma muito linda e marcante das três Marchas Nacionais que ocorreram em nosso país, duas em 2012 e uma em 2013 e do ato que ocorreu em 2014. Estamos nos organizando cada vez mais!!! Atualmente temos um grupo que agrega mulheres, homens e profissionais, e que está em contato com o poder público de nossa cidade sugerindo e cobrando mudanças.

Nós já somos muitas e muitos. E seremos tanto mais à medida que nos fortalecermos e nos mostrarmos para o Brasil! Assim seremos cada vez mais facilmente encontrados por aqueles que estão ‘chegando agora’ a este universo mágico da HUMANIZAÇÃO DO PARTO E DO NASCIMENTO.

E antes de relacionar aqui vários links deste belo movimento, quero fazer uma homenagem justa ao Espaço Aobà, berço de tantas de nós, hoje profissionais! Luciana Lima foi de fato muito importante na construção de tudo isso que hoje é realidade em nossa Curitiba!!!

E, ainda, dentre tudo de belo que aconteceu e acontece, não posso deixar de expressar meu carinho mais que especial pelo Grupo Doula Curitiba, uma união destas “mulheres que servem outras mulheres” em prol de nascimentos mais tranquilos, mais conscientes, mais ativos! Nos unimos para que possamos ser ainda mais fortes e presentes no cuidados umas com as outras, o que invariavelmente reflete no cuidado com nossos filhos!




PARA CONHECER MAIS:


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Doula Curitiba

Transcrevo aqui, com grande alegria, o post que inaugurou o grupo Doula Curitiba!
Acredito em um trabalho feito com amor e união, em prol de algo muito maior do que todas nós individualmente, e por isso desejei, desde o início, que tivéssemos um grupo de doulas aqui em Curitiba!

Queria companheiras, agradeço a vocês pelo trabalho que realizam!
Que todas possamos usufruir dos feitos e conquistas deste novo grupo!

http://www.doulacuritiba.blogspot.com/



O DESEJO DE UNIÃO

O Grupo Doula Curitiba surge da percepção de que sozinha é difícil doular.

Não digo difícil do ponto de vista das ações e técnicas que usamos durante um parto, ou da preparação do casal grávido com informações. Digo difícil quando penso na extensão que este maravilhoso trabalho pode alcançar.

É neste sentido que unidas a coisa fica mais fácil!

Somos todas mulheres que em algum momento de nossas vidas, por uma razão bem específica ou por um desejo ardente, passamos a nos dedicar a outras mulheres e a suas gestações, seus partos, seus seios fartos de leite, seus filhos, suas famílias.

Em algum momento fomos fisgadas pelo poder supremo da vida, pela intensidade do amor que permeia o nascimento e praticamente nos viciamos na alegria que brota, espontânea e abundante, quando uma mulher dá a luz ao filho que carrega no ventre.

É para que esta maravilhosa sensação atinja um número cada vez maior de famílias que nos unimos.

Trabalharmos juntas, por um mesmo propósito e com a mesma crença, ainda que em formatos diferentes; este é o nosso desafio.

Proporcionarmos o despertar para a beleza da vida cada vez em mais mães, pais e profissionais da saúde; esta é a nossa meta.

Oferecer mais amor aos novos seres humanos quando chegam ao nosso planeta Terra; esta é a nossa missão.

Um pequeno trecho da descrição sobre trabalho de Gibran Khalil Gibran (um dos maiores escritores do Oriente), pode traduzir este desejo de união:


“... E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.


E todo impulso é cego, exceto quando há saber.

E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.

E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.


E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios, e uns aos outros, e a Deus...”


Este grupo é aberto a todas as doulas de Curitiba!

Grande abraço,
Inês Baylão - Doula de Parto

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Juntos, chegaremos lá!!!

Hoje foi grande minha alegria ao ver que o programa Mais Você reprisou a matéria sobre o trabalho das doulas Assita à matéria aqui!. Alegria em dose dupla! Primeiro porque a matéria foi gravada durante o meu curso de formação no GAMA, então pude rever nossa turma e nossa querida instrutora Mariana de Mesquita, uma doula fantástica!


Alegria também por perceber que a matéria provocou grande repercussão para justificar uma reprise na TV Globo! E isso é um ótimo sinal. Sinal de que nossa sociedade está insatisfeita com o modelo atual de atendimento ao nascimento. Sinal de que as mulheres estão em movimento, estão em busca de alternativas que lhes satisfaçam o desejo. Sinal de que as coisas estão mudando!

Ainda é real a prevalência do modelo obstétrico focado na tecnologia e não no ser humano. Ainda é real o desconhecimento da nossa sociedade sobre o parto (incluindo também os profissionais de saúde) e a falta de respeito ao indivíduo que nasce. Mas é cada vez maior o número de pessoas que se unem e que o universo se encarrega de colocar em contato para a busca de uma forma mais harmoniosa de se nascer.

Cada vez mais me convenço de que é essa rede de apoio entre os indivíduos que fará a diferença na vida de uma mãe e seu filho quando estiverem vivenciando seu trabalho de parto. É neste apoio que está a força para se conseguir e é na troca entre os profissionais e as mulheres que está a sabedoria do parir.

Quando cada mulher me procura para um atendimento, sedenta de que eu lhe dê garantias do êxito de seu parto, o que posso lhe oferecer é isso: apoio e informação. Apoio para ela se sentir fortalecida em ir ao encontro de seus desejos, e informação para que consiga acreditar em sua sabedoria inata de fêmea no momento de parir sua cria.

Juntas, ou melhor, juntos (porque muitos homens fazem toda a diferença nesta hora) chegaremos a uma realidade mais humana, a uma forma mais suave e carinhosa de recebermos estes novos indivíduos que chegam para coabitar conosco em nosso mundo!

domingo, 24 de outubro de 2010

Adoráveis doulas: paz, tranquilidade e também segurança na hora do parto

Elas têm a função de incentivar e desmitificar o parto normal para as gestantes. No momento tão esperado, e também depois, a doula é uma figura fundamental para as novas mamães
Matéria publicada no jornal O Fluminense.

São os instantes decisivos. À volta da gestante, todos se movimentam na expectativa da chegada do bebê. Mas o que ela sente? O que pensa nesse momento? Ao seu lado, alguém segura sua mão e transmite toda a serenidade necessária para que tudo corra bem. Essa pessoa é a doula, cujo papel é auxiliar a gestante, dar carinho, apoio antes, durante e depois do parto.
As histórias sobre parto natural que a nutricionista Patrícia Schwengber ouviu de sua mãe foram sempre positivas. Hoje, aos 30 anos, a vinda de sua primeira filha, Isabela (que a essa altura já deve ter poucos dias de vida), será cercada de segurança transmitida por sua doula Cátia Carvalho, que a acompanha desde os sete meses de gestação.
A relação entre doula e doulanda – como são chamadas as gestantes que optam por esse acompanhamento – cresce em intimidade. Entre aulas de yoga e de cuidados com bebê, Patrícia e Cátia abrem caminho para o parto normal e humanizado, que vai de encontro aos índices alarmantes de cesarianas, 85% de partos cirúrgicos na rede privada, segundo o Ministério da Saúde. Um número muito acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
“Achar um médico que faça parto normal é difícil, a maioria quer cesariana. Com a Cátia perdi muito os medos, tive acesso a informações que muitas vezes os médicos não passam. O que o trabalho da doula me passa é segurança e tranquilidade. É uma relação muito gostosa que temos”, diz a nutricionista.
Como mãe de primeira viagem, Patrícia tem seus receios e não arriscará um parto em casa. Vai esperar pelas primeiras manifestações de Isabela em casa e, quando tiver perto de sua chegada, irá para o hospital.
“Na verdade, a gente quebrou um paradigma inverso. Está tão instituído o parto cesariano que a gente fica à mercê do médico, desconhece as alternativas e os outros profissionais envolvidos no processo. Através da doula, fui levado a conhecer essa nova realidade”, diz Guilherme Gapski, 40 anos, marido de Patrícia.


Doula há mais de 20 anos fala sobre o desafio da profissão
Doula desde 1988, Cátia teve dois filhos de parto natural e com o apoio de outra doula. Um dos grandes desafios em seu trabalho é desmistificar o parto natural. Muitas gestantes procuram o acompanhamento de uma doula com receio de dor e sofrimento, outras vão por indicação de obstetras que não tentam convencê-las de um procedimento cirúrgico.


“É exposto o parto anormal, que não é a coisa fisiológica. Quando a grávida chega ao hospital, é olhada com cara de pânico, falam que ela vai pedir por anestesia, pedir por uma cesária, as pessoas perguntam se ela não tem medo da dor, mas é claro que ela tem! Nosso trabalho é incentivar a escolha da gestante, dando ferramentas para ela ter um parto mais confortável através de exercícios, massagem, acalmando o marido, tentado diminuir todas as intervenções, que muitas vezes não ajudam na hora do parto e são extremamente desagradáveis para a mãe”, explica.


Doula e parteira não são a mesma pessoa, mas trabalham juntas ao lado de outros profissionais da saúde. Cátia costuma dizer que o médico está pelo parto, os enfermeiros estão pelo médico, o neonatologista está pelo bebê e a doula encontra-se ali pela grávida. A grande luta dessas profissionais é pela atenção e respeito à intimidade do parto, diluindo a imagem do nascimento como algo sofrido, impessoal.


Na luta para conseguir ter um parto normal


A escolha pelo parto humanizado não foi uma opção apenas na segunda gravidez da professora Adriana Facina, 39 anos. Durante a gestação de sua primeira filha, Adriana tinha o desejo de dar à luz por parto normal, mas na época foi convencida pelos médicos a fazer uma cesariana. A figura de uma terapeuta corporal, que a acompanhou durante o procedimento, foi muito importante para que ela tivesse sua intimidade garantida nos primeiros momentos pós-parto.


Grávida de sete meses de um menino, Adriana procurou a doula Gisele Muniz, 28, para acompanhá-la nessa gestação. A professora mudou de obstetra e espera agora ter um parto normal.


“Esperei muito por isso na outra gravidez. Quando fizeram a cesariana foi uma grande frustração. Hoje tenho muita convicção do que quero. Eu não tenho medo, o que me preocupa atualmente é ter um parto domiciliar, só que é financeiramente difícil, os planos de saúde não aceitam”, lamenta Adriana.


Como doula, Gisele passa os conhecimentos do parto humanizado, as técnicas para relaxamento e também sua experiência como alguém que escolheu parto natural. Depois do nascimento de sua filha em 2006, a educadora perinatal considerou o assunto tão apaixonante que quis investir em cursos de formação.


“A doula não faz nenhum procedimento clínico e por isso qualquer pessoa sem ser da área da saúde pode atuar. Nosso foco é dar base à mulher, apoio e carinho”, diz.


Entregues na partolândia


O que a maioria vê como um momento sofrido durante o trabalho de parto, as doulas descrevem como o alcance à partolândia. Um estado alterado de consciência, quando a mulher se deixa levar pelos seus instintos primitivos e se concentra para parir.
“Algumas relatam até como um transe mesmo, em que nada mais importa. Nenhuma ordem importa, isso quando o parto é fisiológico. Já vi várias mulheres dizendo para desligar a câmera, rasgarem a roupa, darem ordens. A mulher deixa de falar, deixa de brincar, ela fica mais séria. Para a gente, a mulher chegar nesse estado é uma coisa fantástica”, relata Gisele.
“Para possibilitar que a mulher chegue nesse transe, a gente tenta evitar ao máximo o entra e sai no quarto, enfermeiro fazendo perguntas do tipo ‘qual seu CPF?’, pessoas que não têm nada a ver com aquele momento fotografando. Isso faz com que os partos sejam longos e a mulher demore a se concentrar. Esse é o lado mais instintivo, mais bicho que a mulher vai liberar. Elas têm que se entregar ao momento, à dor, não ter controle de tudo. Algumas mulheres sentem dor, outras não, algumas dizem que é apenas um desconforto, um apertão por dentro ou a dor maior do mundo. O importante é usar aquilo para trazer o bebê ao mundo. Nesse momento, a mulher se revela como ela é na vida”, completa Cátia.
Protagonista no parto


A pessoa mais importante na cena do nascimento. Foi assim que se sentiu a jornalista Sarah Nery, 28 anos, quando se preparava para dar à luz a Caio. Ela fugiu da cesariana e preferiu ter seu filho em casa, com ajuda de uma parteira e de uma doula.
“Dar à luz com ajuda de uma doula é ter curiosidade e controle no parto, como elas dizem, ter um empoderamento do parto. O nascimento é algo tão maravilhoso, mas se perdeu porque o parto virou um estresse, uma coisa medrosa. O papel da doula foi fundamental, a ideia do parto natural é que tudo aconteça naturalmente, o corpo pede movimentos e você faz, não fica presa numa mesa. Nesse aspecto, minha doula trabalhou com massagens, respirações e movimentos”, conta.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Grupo de mulheres, as doulas, resgata sensualidade na hora do parto

As doulas e as pacientes lutam contra a tendência de cesarianas eletivas e defendem o prolongamento de momentos protagonizados pelas mães.
Matéria publicada no jornal Estado de Minas - veja aqui a matéria na íntegra


Poucas pessoas sequer imaginam que dar à luz pode ser um momento dos mais sensuais. Sensualidade? Um grupo de mulheres tem resgatado a hora do parto como sublime e, de certa forma, como o ápice da sexualidade entre o casal. Reconhecer esta dimensão é uma maneira de humanizar o momento, que, com o crescimento no número de cesarianas eletivas, tem se tornado cada vez mais impessoal. “O nascimento é o fim de uma relação sexual”, afirma a auxiliar de biblioteca Renata Pereira da Rocha Araujo, de 38 anos, que teve a pequena Beatriz, de 2 meses, de parto natural.

Mulheres como Renata contam, nesse momento, com o apoio das doulas, outras mulheres que são treinadas para oferecer suporte físico e emocional durante a gestação parto e o resguardo. O movimento é uma reação de muitos casais à tendência de cesarianas eletivas, ou seja, quando a cirurgia passa a ser regra, devido à praticidade de se marcar uma hora e à rapidez do procedimento, e não exceção a ser adotada apenas em casos comprovados de risco para a mãe e para o bebê.

Um grupo delas quer desfazer os mitos em torno do parto e fazer com que cada momento possa ser protagonizado pelas mães. A queixa de muitas delas é que o aparato do ambiente hospitalar impede, por exemplo, a presença de um acompanhante durante o nascimento, embora seja uma determinação legal. Mesmo sendo um momento de intimidade entre o casal, o parto natural, diferentemente da cesariana, pode ser acompanhado por familiares e pelas doulas.

As doulas estão lá para aplicar massagens para ajudar no controle das contrações, para acalmar os pais que ficam desesperados ou simplesmente para dar a mão à mãe que precisa de um amparo. Não há um momento exato durante o período da gestação para ter início o acompanhamento feito pelas doulas. Pode começar nas primeiras semanas como pode ser também iniciado dias antes do parto. “A escolha tem a ver com a empatia”, afirma a doula e psicóloga Daphne Paiva Bergo, de 35.

Daphne e Renata se encontraram às vésperas do nascimento de Beatriz. “Minha mão foi ela quem apertou. Ficou quatro horas e meia junto comigo”, lembra Renata, que, há um bom tempo, conhecia o trabalho das doulas, mas decidiu-se pelo acompanhamento de uma delas quase no último momento. As duas ficaram se conhecendo na casa de Renata, durante o Chá de Bênção, momento festivo em que as mulheres fazem escalda-pés, massagens, preparam o quarto do bebê e da gestante que irá dar à luz. “O chá foi na segunda-feira de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, comecei a sentir as contrações às 2h. Então decidi que seria a Daphne, uma coisa de instinto e empatia.”

sábado, 25 de setembro de 2010

Mas afinal, o que é uma Doula?



A palavra doula vem ganhando cada vez mais popularidade. Muitos ainda acham-na estranha, outros realmente não a conhecem. Fato é, que esta palavra de origem grega, cujo significado é “mulher que serve”, começou a ser largamente utilizada dentro da humanização do nascimento na década de 90 por dois pesquisadores americanos, Klaus e Kennell.

Atualmente a doula vem ganhando popularidade em nosso país, sendo tema de uma matéria de mais de 20min no programa Mais Você no último dia 11 de agosto (Assista matéria aqui), e passando a integrar o tradicional Dicionário Aurélio em sua 5ª edição revisada e ampliada (Veja matéria aqui).

A doula existe, no cenário do nascimento, desde que existe o próprio nascimento. A mulher que está parindo sempre esteve acompanhada por outras mulheres, e é comum vermos representações de cenas de partos da idade média, ou mesmo mais antigas (da época do Egito e da antiga Índia), nas quais há mulheres apoiando a parturiente. Essas mulheres que apóiam, seguram a mão, olham no olho, buscam água, secam o suor, abraçam..., são as doulas.

Companheiras e servidoras fiéis daquelas que estão dando à luz, essas mulheres desapareceram da cena do parto por muitos e muitos anos. Quando o nascimento passou a ocorrer nos hospitais e não mais em casa, achou-se que essa figura não era mais necessária, já que o obstetra passou a cuidar de todo o nascimento, o pediatra a cuidar do bebê e as enfermeiras se responsabilizavam por providenciar tudo que fosse necessário a eles.

E aconteceu que por muitos e muitos anos as mulheres ficaram sem ser cuidadas durante o nascimento de seus filhos!

Hoje, muitas grávidas, apesar de estarem em centros urbanos e ganhando seus bebês em hospitais, desejam vivenciar a experiência de dar a luz a seus filhos de forma ativa, consciente e prazerosa. Neste contexto aquelas mulheres que apóiam voltam à cena do nascimento, com o nome de doulas, comprovando que são de grande importância neste momento mágico e intenso da vida de qualquer pessoa.

A doula não irá querer que você tenha um parto normal, ou na água, ou que não tome anestesia, ou que fique de cócoras, ou qualquer outra coisa. A doula apenas deseja poder proporcionar à mulher uma experiência de parto positiva, contribuindo desta forma para o nascimento de uma mãe mais segura, gratificada e orgulhosa da sua experiência de parir um filho.

A doula é, portanto, quem cuida da mulher que está parindo. Ela cria vínculo com essa mulher, estabelece uma relação de confiança e tem plena convicção na capacidade fisiológica do corpo feminino de dar a luz a seus filhos. Ela entra como a mão amiga e passa a incentivar e apoiar toda e qualquer decisão informada da mulher.

É importante compreender que a doula não decide nada, nem antes e muito menos durante o nascimento. Ela trabalha com um suporte informativo prévio onde busca passar à gestante todo conhecimento que ela precisa para tomar suas decisões. E, durante o trabalho de parto em si, ela trabalha com um suporte físico e emocional, utilizando técnicas diversas, sempre não farmacológicas, para alívio de desconfortos e busca de serenidade.

A figura da doula está relacionada ao parto via vaginal porque uma mulher que tem uma doula torna-se mais confiante, mais ativa dentro do trabalho de parto, passando a trabalhar a favor de seu corpo e do nascimento de seu filho. Então, ter um parto via vaginal, sem tantas intervenções e sofrimento, mais rápido e satisfatório, passa a ser uma realidade e não um sonho distante, quase impossível.

Vai parir? Contrate uma doula!!!

Conheça aqui como se estrutura nosso atendimento

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Assim nasce uma doula

Minha motivação para fazer o curso de doulas veio da traumática experiência com o parto de minha primeira filha. Após um ano e meio de seu nascimento e quando estava totalmente convencida de que a única chance de vivenciar plenamente um segundo parto seria fazê-lo em casa, decidi fazer o curso para me instruir e aprender mais sobre como oferecer a mim mesma o que é importante nesse momento que desejo vivenciar.

E assim cheguei aqui. Conversei com meu marido sobre a importância disso para mim e decidimos que ele ficaria com nossa filha durante o período do curso, já que teria que ir para São Paulo e ficar lá os quatro dias seguidos..... Foquei então em falar para minha filha, a Laís, que como sempre nos surpreende. Desde que eu comuniquei a ela verbalmente da minha decisão, assim como se falaria a um adulto, ela foi aos poucos não precisando mais do meu seio para dormir, não pedindo mais o “mámá”(no seio) quando acordava. Era como se ela estivesse dizendo “pode ir mamãe, eu vou ficar bem”.


Então, com o apoio do meu marido e da minha pequena filha aqui estou, no penúltimo dia do curso, fascinada com o poder e a força das mulheres, com a beleza e magia do nascimento, com a perfeição desse evento único na vida de duas pessoas.


Durante estes três dias de curso acho que pari a doula que existe em mim. Vejo que minha identificação com as funções e princípios desta profissional é total e me pego sentindo um enorme, imenso, imensurável desejo de estar ao lado de uma mulher parindo.
Hoje foi difícil voltar para o hotel... Estávamos assistindo ao filme Orgasmic Birth (quem já assistiu vai me entender) e depois daqueles partos amorosos, intensos, plenos de ocitocina.... tive que aterrissar no planeta Terra, voltar ao mundo real, pegar o metrô de São Paulo e então vim para o computador para poder colocar pra fora toda essa magia que ora me envolve e que tenho certeza, não há como não envolver todos aqueles que se permitem vivenciar a experiência do nascimento com o olhar do amor e o devido respeito á obra de nosso Criador.


O parto já está em seu estado de arte, como disse a Ana Cris, uma de nossas instrutoras durante o curso, não há NADA a ser melhorado!!!!! E isso parece óbvio se olharmos pela perspectiva de que Deus não teria errado a mão justamente na hora de elaborar este evento fisiológico.


Bem, é isso, agora sou uma doula (na verdade ainda falta mais um dia de curso, ...rsrsrsr...). O que vou fazer quando voltar para Curitiba???? Bem, eu ainda não sei exatamente, mas tenho plena convicção que não vou guardar toda essa magia só para mim. Vou levá-la a todos os cantos, através deste blog, de encontros, de atendimentos. Vou dizer a todas a mulheres “ Sim minhas queridas, vocês podem, nós podemos, sentir prazer com nossos partos assim como sentimos prazer em nossas relações sexuais. Deus concebeu nosso corpo para isso. Isso não é feio, isso não é pecado, isso não é maldito nem sofrido. Isso é lindo, é pleno, é prazeroso, é renovador e transformador!”
REFLEXÃO
Já paramos para pensar que há pouco mais de meio século o sexo era feio, sujo e impuro para as mulheres???? O sexo parece ter saído desse posto, só que o parto continua nesse lugar.

Vamos tirá-lo de lá!!!
Volto a escrever quando já estiver com meu “plano de parto”, quero dizer plano de doula, pronto!
Até!!!!